Política

Nico "segurou" questão do chorume por 35 dias, diz Comissão de Obras

Vinicius Lousada
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Divulgação
Vereadores Carlão do Gás, Sandro Bussola, Fabiano Mariano, Lima Júnior e Artemio Caetano analisaram, em reunião na tarde dessa quinta (16), documentos fornecidos pela Emdurb 

A Comissão de Obras da Câmara Municipal se reuniu, nessa quinta-feira (16), para, mais uma vez, discutir os problemas envolvendo o chorume do aterro sanitário de Bauru. Os vereadores constataram que o presidente da Emdurb, Nico Mondelli, demorou 35 dias para tomar providências acerca do processo que visava minimizar os riscos de transbordamento da lagoa, onde é armazenado o líquido derivado da decomposição do lixo orgânico.

No dia 18 de junho, o JC revelou que o chorume poderia vazar em razão do fim do contrato entre a Emdurb e a Monte Azul. A empresa deveria promover a destinação da substância ao longo de todo o ano. No entanto, todo o volume previsto para ser removido em 12 meses fora recolhido em menos de seis, por conta das obras de drenagem executadas no aterro.

À época, o comando do órgão municipal alegou que o aumento da produção de chorume era algo inesperado e, em julho, promoveu licitação para firmar um novo contrato.

Nessa quinta, porém, ao analisar parte de processo com mais de mil folhas fornecido pela própria Emdurb, os parlamentares detectaram que, muito tempo antes de o problema se tornar público, a gerente responsável pelo aterro sanitário, Alessandra Pinezi, já havia alertado sobre a necessidade de providências em função do aumento da produção de chorume.

No dia 3 de março, ela fez o pedido de abertura de concorrência para garantir a ininterrupção do serviço de destinação da substância. Logo em seguida, o setor de licitações deu andamento ao processo e, em 40 dias, a etapa de cotações de preço foi concluída.

Gerente financeiro da Emdurb, João Carlos Tascin se manifestou em 27 de abril, apontando a necessidade de reserva de R$ 1,6 milhões para o novo contrato. Na ocasião, ele indicou a inexistência de recursos suficientes e recomendou a revisão do processo, encaminhando-o a Nico Mondelli e ao diretor administrativo-financeiro, Amaury Roma.

PARADO

Após ter recebido a documentação com todas essas informações, no fim de abril, o presidente da Emdurb só se manifestou sobre o caso em 2 de junho, 35 dias depois, determinando que um novo processo de licitação fosse aberto e que, por dificuldades orçamentárias, o eventual contrato não deveria ultrapassar o valor de R$ 500 mil.  

Nesta data, o volume contratado junto à Monte Azul já estava prestes a terminar e, de fato, acabou antes do fim do novo processo de concorrência, vencido por ela, que só retomou a prestação dos serviços anteontem.

A morosidade para resolver o problema levou a Emdurb, nesse meio tempo, a locar, sem licitação, tanques de caminhões para armazenar o chorume improvisadamente. O aluguel gerou problemas a Nico Mondelli, por ter omitido a contratação dos vereadores que acompanham o caso.

Presidente da Comissão de Obras, Sandro Bussola disse ao JC que o grupo de parlamentares voltará a se debruçar sobre o processo entre hoje e a próxima segunda-feira, em reuniões extraordinárias.

PRIORIDADES

Questionado pelo JC, Nico afirma que demorou para se manifestar no processo porque a Emdurb dispunha de poucos recursos e, no mesmo período, precisou contratar projetos e executar serviços referentes à ampliação do aterro sanitário. “Não sabíamos quanto essas ações iriam custar. Tínhamos que esperar para tomar as decisões”.

Diante da publicidade do risco de transbordamento de chorume, o órgão promoveu a licitação e fechou contrato de seis meses, pelo valor de R$ 370 mil.

 

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