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Denúncia de que Cunha cobrou US$ 5 milhões de propina enfraquece o peemedebista

Estadão Conteúdo
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Aliados e opositores do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acreditam que a denúncia de que ele cobrou US$ 5 milhões de propina acelera um processo de enfraquecimento do peemedebista na Casa - iniciado com pauta conservadora que impõe e pela postura considerada "ditatorial" na condução dos trabalhos.

A denúncia foi feita na quinta-feira (16), pelo lobista Julio Camargo, um dos delatores da Operação Lava Jato, em depoimento à Justiça Federal. Segundo a denúncia, Cunha exigiu US$ 5 milhões de propina em dois contratos da Petrobras para a compra de navios-sonda. Segundo o delator, a cobrança foi feita pessoalmente por Cunha em encontro em 2011, no Rio. As denúncias também foram feitas em delação à Procuradoria-Geral da República comandada por Rodrigo Janot.

Para os parlamentares, se Cunha começou o dia afirmando que a Lava Jato não lhe tirava o sono, terminou com o lobista Julio Camargo lhe garantindo insônia. Após o fato, o presidente da Câmara se encontrou com o vice-presidente da República, Michel Temer, comandante do PMDB, na Base Aérea. Em razão da crise, eles avaliaram o quadro e Cunha decidiu permanecer durante esta sexta-feira, 17,em Brasília.

Ele também decidiu não alterar o pronunciamento que fará hoje à noite, quando irá apresentar um balanço de sua gestão. "O espaço é institucional. Não posso usar para fins pessoais", afirmou ao jornal "O Estado de S. Paulo".

Aliados fiéis de Cunha já admitem a possibilidade de se distanciar dele e dizem que, com o desenrolar do processo, os partidos logo começarão a pensar em opções para suceder-lhe, caso sua permanência no cargo fique insustentável. No entanto, ainda não há um nome forte na Casa que se sustente sem o suporte do presidente investigado. "De certa forma, a notícia fragiliza, mas veio num momento de recesso e, por isso, não dá para se medir, por exemplo, o impacto dentro do plenário. É importante aguardar com cautela para ver o que vem por aí", disse o líder do aliado PSDB, Nilson Leitão (MT).

No PT, a torcida é para que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, peça e o STF determine o afastamento de Cunha da presidência da Câmara, para que ele não use o cargo como arma. A expectativa também entre os governistas é que novas delações possam desgastar o parlamentar durante as duas semanas sem atividades no Congresso.

Petistas sabem que a presidente Dilma Rousseff será o principal alvo do peemedebista após o recesso e acreditam que ele voltará disposto a abrir um processo de impeachment contra ela. Se no início do ano ele se posicionava terminantemente contra o impedimento, agora já admite publicamente a possibilidade.

Rompimento com o governo

Desafeto da presidente Dilma Rousseff, o peemedebista oficializará o rompimento com o governo.

Na quinta-feira (16), após a divulgação da delação de Camargo, Cunha encontrou-se com o vice-presidente da República, Michel Temer, comandante do PMDB, para tratar do assunto. O rompimento foi revelado pelo site da revista Época na noite de quinta. Cunha confirma a informação.

O movimento já era esperado por aliados e opositores do presidente da Câmara. Um deputado do DEM avalia que o governo terá neste segundo semestre o seu pior momento, pois Dilma será o principal alvo de Cunha. Para o parlamentar, o peemedebista não mais evitará a abertura de processo de impeachment contra a petista. Para um peemedebista, Cunha teria mesmo que deixar de ser "camaleão", ora governista, ora oposicionista, para assumir de fato seu papel de adversário da presidente Dilma Rousseff.

Dentro do PMDB, Eduardo Cunha é a principal voz favorável ao rompimento com o PT. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo em 14 de junho, ele já defendia o desembarque de seu partido do governo e o fim da aliança entre as duas legendas já a partir das eleições municipais do ano que vem. Na quarta-feira 15, ao lado de Temer, do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e do ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP) Cunha voltou a defender de maneira enfática que o PMDB tenha candidato próprio em 2018. Foi seguido pelos correligionários.

Na quinta-feira (16), em café da manhã com jornalistas, o presidente da Câmara fez novos ataques ao PT: "Não aguentamos mais não disputarmos a eleição e ficarmos perto do PT. Ninguém aguenta mais aliança com o PT"; "Estamos doidos para pular fora (do governo)"; "Um partido que não quero na aliança com o PMDB é o PT".

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