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Mais de 2 mil bauruenses recorrem à Anatel por problemas com celular

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 5 min

Malavolta Jr.
“Tenho que decifrar o que a pessoa fala ou sair de casa para conseguir o mínimo de sinal”, reclama  a vendedora Olivia Parussolo

Os números de linhas telefônicas e de pessoas com acesso à internet móvel pelos celulares cresceram exponencialmente nos últimos anos. As operadoras de telefonia dizem que têm se adequado para atender a demanda na mesma velocidade. Será?

De janeiro até o último dia 13 de julho, 2.263 bauruenses recorreram à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para reclamar de problemas com a telefonia móvel. Linha muda ou sem sinal, dificuldade em completar chamada, falta e queda de conexão e falha ou ruídos durante as ligações estão entre as principais queixas registradas pelo órgão.

Mas a telefonia móvel não é única com problemas. Segundo a Anatel, outras 749 reclamações, no mesmo período, também foram recebidas e referem-se às linhas de telefones fixos, que também têm registrado problemas (veja mais no quadro).

Para fins comparativos, até junho, havia 109.430 linhas fixas ativas na cidade.

Na média?

O JC solicitou à Anatel o total de linhas móveis ativas na cidade, mas o órgão não soube precisar, afirmando que é possível saber apenas o número de linhas abrangidas na área do DDD 14, que contempla Bauru e outros 99 municípios da região. No último relatório de acessos da Anatel, realizado em janeiro, havia mais de 3 milhões de linhas autorizadas.

Embora o número de reclamações pareça alto, já que a queixa formal é tida pelos próprios consumidores como um dos últimos recursos para tentar solucionar o problema, a Anatel, que é responsável pela fiscalização do serviço no país, diz que o montante registrado “está na média das reclamações registradas sobre o assunto para o município”.

A análise também é reforçada pelo pesquisador João Maria de Oliveira, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que em uma conta rápida - considerando que dos 364 mil habitantes da cidade ao menos 220 mil tenham celulares – diz que a média de reclamações não ultrapassaria 1%. “Parece ser um número grande, mas não é”, pontua o pesquisador.

Oliveira, no entanto, faz ressalvas. “Mas de fato a infraestrutura hoje é ineficiente para atender a demanda. Os sistemas estão superlotados porque as torres de rádio possuem capacidades limitadas, gerando falhas e transtornos que dão margem a uma série de reclamações dos clientes”, avalia.

‘Sempre cai’

De fato, não é necessário ir longe para encontrar um usuário de celular e Internet móvel que já tenha experimentado um sinal ruim, uma transmissão de dados lenta, ligações telefônicas que não completam etc.

“Sempre cai, principalmente no meu plano que posso falar ilimitado para a mesma operadora. Eles te dão o benefício de falar a vontade, mas quase sempre não dá sinal ou falha”, comenta o autônomo Luiz Augusto Oliveira, 29 anos.

À frente de uma empresa de banho e tosa no Jardim Cruzeiro do Sul, ele conta que para minimizar a saga e conseguir conversar sem problemas com seus clientes, acabou investindo em uma segunda linha móvel de outra operadora. “Mas as duas linhas dão problema, dependendo do dia”, constata.

“A internet, então, nem se fala. É ótima, mas só funciona quando quer. Em casa, às vezes tenho que sair no portão para baixar imagens e vídeos”, comenta o rapaz, que gasta mensalmente quase R$ 200,00 somente com planos e pacotes de dados de telefonia.

O mesmo problema é compartilhado pela vendedora Olivia Parussolo que depende do celular para efetivar as vendas. “A ligação sempre cai na metade da conversa, dá até vergonha. Isso quando não tenho que decifrar o que a pessoa fala ou sair de casa para conseguir o mínimo de sinal”, comenta a vendedora. “No início achava que o problema era meu celular, mas já testei a linha em cinco aparelhos diferentes”, completa.

Reclamação

Apesar da frustração com os serviços, Luiz Augusto e Olivia nunca reclamaram diretamente à Anatel. “Já liguei na operadora, mas eles nunca resolvem nada. Não sabia que a Anatel oferecia a reclamação online, acho que vou arriscar”, afirma Olivia Parussolo. Luiz Augusto Oliveira, por sua vez, diz ter desistido de reclamar.

“Em uma operadora eles dizem sempre que aqui na região está tudo ‘ok’. Na outra, falam que o problema acontece em decorrência da implantação de uma rede e que será solucionado em breve”, afirma o autônomo.

Vale pontuar que os números de reclamações na Anatel compõem o cálculo do indicador da qualidade medido pelo órgão, que emite relatórios anuais sobre a situação da telefonia no país.

Ações

Responsável por regular essas questões, a Anatel estabelece prazos para que as operadoras alvos de problemas alcancem níveis mínimos, sob pena de serem multadas em até R$ 50 milhões. Em 2013, a agência realizou 12,3 mil ações de fiscalização.

João Maria Oliveira pontua a fiscalização do órgão melhorou, mas ainda deixa a desejar. “Faz pouco tempo que eles conseguiram melhorar o monitoramento. Sempre foi tudo muito burocrático”, aponta. Como exemplo, ele cita a suspensão de 11 dias de venda de chips aplicada às empresas Claro, Tim e Oi em vários estados, em consequência da insatisfação dos usuários em 2012.

No Procon, cobranças abusivas nas contas lideram queixas

As queixas registradas na sede da Fundação Procon em Bauru neste ano diferem da natureza das registradas na Anatel.

Enquanto os consumidores procuram o órgão federal para reclamar de problemas técnicos na rede, o principal problema no Procon, referente tanto à telefonia fixa quanto móvel, são as cobranças indevidas e abusivas em contas telefônicas, seguidas pela rescisão ou alterações unilateral de contratos, além da reclamação sobre serviços fornecidos parcialmente ou não concluídos por operadoras.

Atuação

“Tenho a impressão de que as próprias operadoras acabaram se perdendo na profusão de seus planos e descontos, e por isso, essas situações acontecem”, avalia o pesquisador da telefonia no País, João Maria de Oliveira.

O pesquisador ressalta a atuação do Procon no Estado ao lembrar-se da multa milionária aplicada, em junho deste na, as operadoras Claro, Oi, TIM e Vivo por quebra de contrato e bloqueio de internet móvel nos planos que foram promovidos como “ilimitados”.

 

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