Tribuna do Leitor

O que será da Estação Ferroviária?

Prof. Joaquim Eliseo Mendes ? Membro da ABL
| Tempo de leitura: 2 min

Ferroviária em mercado municipal

poderá interferir no nível cultural de

Bauru?” E a apuração, através do WhatsApp

e outros meios, salvo engano, foi

a seguinte: 83% “não” e 17% “sim”.

Eu me pontuo entre os 17% que

entendem que essa destinação será

prejudicial às artes e cultura geral que

vêm se acentuando ultimamente. Além

do espaço negativo que deixaria, pois já

perdemos uma Delegacia Cultural para

outra cidade, se tal fato acontecer, constituirá

uma incoerência governamental,

pois já tivemos um mercado municipal

que foi transformado no atual Teatro

Municipal e um viável e futuro centro

cultural a transformar-se em mercado.

Em meu entendimento, um mercado

pode ser construído em qualquer local

dependendo exclusivamente de vontade

política e recursos, pois que ao mesmo

os consumidores certamente ocorrerão.

Como exemplos, nós temos os 147

shoppings construídos na cidade de São

Paulo (fonte Folha S. Paulo). No entanto,

história e tradição são intransferíveis, pois

são marcadas pelo tempo e espaço onde

ocorreram os fatos. E a Estação Ferroviária

de Bauru tem sua maravilhosa história

ligada aos trilhos de três ferrovias, a um

majestoso prédio e a milhares de pessoas

que lá trabalharam e de milhões, deste e

de outros países, que pela mesma passaram.

Que não dependa desta mudança

a reurbanização e o movimento naquela

região, pois a cultura também poderá

promovê-los, dependendo de criatividade

e da vontade política.

Devemos seguir outras cidades que

souberam aproveitar as estações que,

infelizmente, as ferrovias deixaram, além

das saudades, como o Teatro São Paulo e

o Museu da Imagem e do Som na capital.

Temos que pensar grande e não pequeno.

E que nesta reforma que está sendo

executada objetivando a consolidação de

um futuro e de fato Centro Cultural, seja

destinado um espaço para a Academia

Bauruense de Letras, que completou 22

anos de existência no dia 3 de julho e até

agora está vivendo de recintos emprestados

para suas reuniões. E sem espaço

para o seu precioso acervo. Academia

que, assim como a história daquele majestoso

prédio cujo destino corre perigo,

mesmo após nossa passagem por este

mundo, continuará viva para sempre.

 

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