| Quioshi Goto |
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| Com redução da demanda, as indústrias de Bauru e região foram forçadas a demitir funcionários |
A queda nos níveis de produção das indústrias levaram ao fechamento de 900 postos de trabalho na região de Bauru, somente no mês de junho. A informação é do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Parte do saldo negativo é resultado das demissões anunciadas pela Pedertractor, empresa de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) que fabrica peças e componentes para máquinas agrícolas e da construção civil. Conforme o JC divulgou, no mês passado a fábrica iniciou o processo de demissão de cerca de 400 funcionários, que foi atribuído à diminuição nos pedidos, motivada pela crise econômica enfrentada pelo País.
O resultado divulgado pelo Ciesp/Fiesp, contudo, abrange o desempenho das indústrias em 24 municípios, incluindo as regiões de Agudos, Bauru, Boraceia, Duartina, Lins e Pederneiras. Somente Bauru foi responsável pelo fechamento de 145 vagas de emprego em junho, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.
Segundo o Ciesp, o índice do nível de emprego industrial na diretoria regional foi influenciado, principalmente, pelas variações negativas dos setores de máquinas e equipamentos, que apresentaram queda de 13,7% no saldo de postos de trabalho em comparação a maio. O segmento de confecção de artigos de vestuário e acessórios registrou decréscimo de 4,25%, o de produtos alimentícios, redução de 0,73% e o de celulose, papel e produtos de papel, queda de 1,86%.
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Vice-diretor da regional do Ciesp em Bauru, Sebastião Carlos Gonçalves de Lima explica que, com a redução da demanda, as empresas foram forçadas a demitir para minimizar o impacto das perdas e não ficar com mão-de-obra ociosa. “Várias empresas na região sofreram e estão sofrendo as consequências da crise. Elas seguraram (os empregos) até quando deu. Em junho, muitas não viram outra solução que não as demissões”, observa.
Sem prazo
E, segundo Lima, trata-se de uma realidade que ainda não tem prazo para ser contornada. “As empresas vão continuar em dificuldades e é possível que os resultados nos próximos meses sejam ainda piores dos que foram registrados em junho”, avalia.
CRÍTICAS
O vice-diretor do Ciesp critica as medidas adotadas pelo governo federal até o momento para tentar evitar um número maior de demissões. A mais recente foi a medida provisória que permite às empresas em dificuldades reduzir jornada e salários em até 30%, sendo a União responsável por repor 15% desta financeira perda ao trabalhador.
“É uma medida assistencialista, que não resolve em nada a situação das empresas e dos trabalhadores. Ela vai valer até o final de 2016. Será que, até lá, o governo não vai fazer nada para que a economia volte a crescer?”, questiona.
Entre as medidas necessárias para a recuperação da indústria, ele cita as reformas tributária e trabalhista, investimento em infraestrutura e a desburocratização da economia, entre outros. “São coisas que estamos cansados de saber que são necessárias, mas que nunca foram efetivamente discutidas”, pontua.
A queda no nível de emprego industrial foi de 3,3% em relação a maio. No ano, o acumulado foi de -3,82%, representando uma queda de aproximadamente 1.050 postos de trabalho. Nos últimos 12 meses, o resultado foi -6,91%, o que corresponde a uma redução de cerca de 2.000 postos de trabalho.
A pesquisa
A Pesquisa “Nível de Emprego Regional”, realizada pelo Ciesp por meio de sua Gerência de Pesquisa e diretorias, tem como objetivo acompanhar a evolução do nível de emprego na indústria paulista.
Segmentado por ramos da atividade e regionalizado pelas 36 diretorias do Ciesp, o estudo destaca a variável nível de emprego para cada regional integrada ao sistema, juntamente com a Capital. A amostra é constituída por aproximadamente 3 mil indústrias distribuídas pelo Estado de São Paulo, compreendendo cerca de 1,1 milhão de empregos.
Por aqui
A desaceleração econômica também provocou queda no nível de emprego como um todo em Bauru. O saldo foi o pior dos últimos 15 anos para meses de junho, com a extinção de 349 postos de trabalho com carteira assinada, segundo dados do Caged, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
O fraco desempenho do município foi impulsionado, principalmente, pelas dificuldades enfrentadas pelo comércio para manter seus empregados. No mês passado, o setor fechou, sozinho, 182 vagas.
O segundo pior resultado foi o da indústria, com saldo negativo de 145 empregos formais, seguido pelo de prestação de serviços, com extinção de 99 postos. O resultado geral só não foi pior porque a construção civil conseguiu criar 75 vagas no período.

