Líder da oposição ao governo no Legislativo, o vereador Lima Júnior (PSDB) tornou pública, nessa segunda-feira (20), mais uma denúncia de suposta irregularidade envolvendo a Emdurb e o chorume do aterro sanitário. O alvo agora são os trâmites para a contratação de oito tanques que armazenaram, improvisadamente, o líquido derivado da decomposição do lixo orgânico.
Com base na análise de documentos pela Comissão de Obras, o tucano constatou que a Emdurb promoveu a pesquisa de preço obrigatória junto a três empresas antes de firmar o aluguel. O levantamento ocorreu no dia 30 de junho.
Contudo, o empenho dos recursos para o contrato, com a indicação da empresa vencedora – Euclides Renato Garbuio – é datado em 26 de junho e assinado pelo presidente do órgão municipal, Nico Mondelli.
“Quero entender como a empresa fornecedora foi definida antes da cotação. Não estou fazendo juízo de valor. Estamos pedindo, pela Comissão de Obras, que a Emdurb explique como fez isso. Será um método de adivinhação? Consultaram uma cartomante?”, ironizou Lima, na tribuna da Câmara Municipal, durante a sessão parlamentar dessa segunda.
Aos jornalistas, o líder da base governista, Markinho da Diversidade (PMDB), afirmou que Nico Mondelli provará, a partir de documentos, a regularidade dos procedimentos para a locação dos tanques. “Ele garantiu que está tudo dentro da legalidade”.
Na semana passada, o presidente da Emdurb já havia pedido desculpas aos vereadores por ter omitido o aluguel da Comissão de Obras, em reunião realizada um dia após a contratação e que fora convocada para discutir justamente os problemas em torno do chorume.
DO BOLSO
Lima Júnior disse ainda que a Comissão de Obras apontará, em relatório, que os gastos com o a locação dos tanques – estimados em R$ 12 mil até a semana passada – sejam custeados pelos gestores da Emdurb.
Ele acredita que essa despesa só foi efetuada em consequência da omissão de Nico Mondelli, que demorou 35 dias para se manifestar em processo para a contratação do serviço de retirada e destinação do chorume do aterro sanitário.
Como mostrou o JC, em março deste ano a gerente do setor responsável, Alessandra Pinezi, apontou a necessidade de abertura de um nova licitação, já que o volume de chorume contratado estava terminando.
O pedido chegou às mãos do presidente da Emdurb no final de abril, mas só em junho ele determinou que os procedimentos de cotação fossem refeitos em função da inexistência de dinheiro disponível para o contrato.
“Essa morosidade levou ao risco de contaminação do solo porque não tinha ninguém que pudesse esvaziar a lagoa de chorume. Por isso, recorreram ao aluguel dos tanques”, explica Lima. Nessa segunda (20), os vereadores Moisés Rossi (PPS) e Roque Ferreira (PT) voltaram a defender a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para o caso.