| Quioshi Goto/Arquivo |
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| Leo Artur Marestoni, da Polícia Ambiental, ficou surpreso com os casos no curto período de tempo |
| João Rosan/Arquivo |
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| Delegado seccional Ricardo Martines centralizará investigações |
Em plena madrugada, quatro vacas foram abatidas, decapitadas e tiveram a carne furtada em três ocorrências diferentes em propriedades rurais, mais especificamente nas proximidades da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), a Bauru-Marília, em Bauru. A polícia acendeu alerta por conta do intervalo de poucos dias entre os crimes, registrados em 6, 8 e 14 de julho. Diante disso, os casos ainda serão investigados e a fiscalização nesta área rural terá reforço.
A vítima do furto mais recente é o pecuarista Jose Antonio Costa, 62 anos. Ele cria cerca de 250 cabeças de gado de corte em um sítio localizado nas proximidades da rodovia Bauru-Marília, mas não mora na propriedade. Um caseiro cuida dos animais, mas a casa onde o trabalhador reside fica distante do pasto e ele não viu nem ouviu qualquer movimentação suspeita. Mesmo assim, na madrugada da última terça-feira, uma vaca da raça Simental foi abatida com um tiro na cabeça.
No pasto, só ficou a cabeça do animal. Mais para frente, já na estrada de terra que dá acesso ao sítio, foram encontrados os ossos e as vísceras da vaca. Embora seja a primeira vez que o crime tenha ocorrido na propriedade de Costa, o pecuarista já está cansado de ouvir histórias semelhantes de furto de carne nos sítios vizinhos, inclusive nos municípios de Avaí e Duartina. “Nós, pecuaristas, vamos nos unir com o intuito de levantar todas as informações necessárias e ajudar a polícia a chegar até os responsáveis”, revela.
Seis dias antes, duas vacas foram furtadas de uma fazenda localizada na mesma via, também de madrugada. Conforme o JCNET noticiou, a vítima do furto informou a polícia que os animais foram abatidos no local e a carne foi levada. Os responsáveis deixaram a cabeça e as costelas de um deles no local. A cerca havia sido cortada e a mangueira onde os animais estavam, danificada. Dois dias antes, outro caso. Na mesma região e faixa de horário, um bovino foi morto, furtado e a cabeça, deixada para trás.
Atípico
Comandante do Pelotão da Polícia Ambiental de Bauru, o 1.º tenente Leo Artur Marestoni, confessa que o número de casos de furto de animais em tão pouco tempo o surpreendeu. Com a estatística do último semestre em mãos, Marestoni revela que foram registrados um caso em janeiro, um em fevereiro, um em março, nenhum em abril, nenhum em maio e apenas um em junho. “Os números de um semestre quase foram superados em pouco mais de uma semana”, analisa.
Para saber o que está acontecendo, a Polícia Ambiental colherá informações junto às vítimas. “Não sabemos se é um único grupo de pessoas ou grupos diferentes. O que posso afirmar é que é uma situação atípica, mais comum em locais com maior concentração de propriedades rurais”, argumenta. Por outro lado, o tenente Marestoni é enfático ao trazer à tona a máxima de que a ocasião faz o ladrão. “Evitar a facilidade é essencial. Portanto, recomendamos que os proprietários de sítios utilizem cercas e deixem as porteiras devidamente trancadas”, diz.
O comandante do Pelotão explica ainda que a Polícia Ambiental está sediada em Bauru, mas atende outras 38 cidades. “Por estar sediada em Bauru, a polícia acaba intensificando as ações na cidade”, acrescenta. Diante disso, do começo deste ano até o momento, foram feitas cerca de 100 atividades preventivas no município e 20 bloqueios em áreas consideradas críticas. Na região, ocorreram mais de 300 ações de policiamento preventivo. Mesmo assim, o patrulhamento será intensificado nas proximidades da Bauru-Marília.
E agora?
Como os proprietários dos sítios registraram queixa, a Polícia Civil investigará os casos para chegar aos autores, como garante o titular da Delegacia Seccional de Bauru, Ricardo Martines. O delegado aponta ainda que, provavelmente, os crimes foram cometidos por pessoas habilitadas em abater animais, já que ocorreram durante a madrugada e a pouca iluminação dificulta a ação.
Para investigar os casos, Martines pretende centralizá-los em uma única equipe. Se a autoria for identificada, um inquérito será aberto. Segundo o delegado, os delitos são furtos qualificados, porque, aparentemente, foram cometidos em concurso de pessoas e durante o repouso noturno. Além disso, os delitos podem englobar o crime de maus-tratos, uma vez que o abate tem de ser feito de forma a não causar sofrimento aos animais.
Serviço
Embora a polícia trabalhe para coibir o abate de bovinos e o consequente furto da carne nas proximidades da rodovia Bauru-Marília, qualquer informação à respeito dos casos torna-se essencial. Para denunciar, basta entrar em contato com a Polícia Ambiental pelo telefone (14) 3203-2700 ou ir até a base, que fica na avenida Rodrigues Alves, 38-138, na região da Vila Cardia, em Bauru. O serviço funciona 24 horas por dia e o anonimato é garantido.

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