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Dólar dispara 2,17% e encosta em R$ 3,30 por preocupações fiscais

Por Bruno Federowski | Reuters
| Tempo de leitura: 3 min

Arquivo/Sergio Moraes/Reuters
Real continua se desvalorizando em relação ao dólar

O dólar avançou mais de 2% e encostou em R$ 3,30 nesta quinta-feira (23), maior patamar em quatro meses, após o corte nas metas fiscais do governo alimentar temores de que o Brasil pode vir a perder seu valioso grau de investimento.

O dólar avançou 2,17%, a R$ 3,2958 na venda, maior patamar de fechamento desde 19 de março, quando a divisa ficou em R$ 3,2965. Com isso, a moeda norte-americana voltou a se aproximar das máximas em doze anos atingidas pela última vez em março.

"Cresceu significativamente a chance de o Brasil perder o grau de investimento. Talvez isso demore, mas a chance é alta", disse o superintendente de câmbio da corretora Intercam, Jaime Ferreira.

O mercado teme que o país, depois de esperado rebaixamento pela Moody's e pela Fitch, receba perspectiva negativa de alguma das agências. Com isso, ficaria na iminência de perder seu cobiçado grau de investimento. A Moody's deve manifestar-se sobre a nota brasileira em breve após visita ao país na semana passada.

Na véspera, o governo reduziu a meta de superávit primário deste ano para R$ 8,747 bilhões, ou 0,15% do Produto Interno Bruto (PIB), contra R$ 66,3 bilhões(1,1% do PIB), previstos até então. Além disso, abriu a possibilidade de abater até R$ 26,4 bilhõesque, no limite, pode até gerar novo déficit.

As metas para 2016 e 2017, por sua vez, caíram para o equivalente a 0,7% e 1,3% do PIB, respectivamente. O objetivo anterior para cada um desses anos era de 2% do PIB, percentual que agora só deverá ser alcançado em 2018.

Operadores também entenderam que a decisão representou uma derrota para o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em seus esforços para reequilibrar as contas públicas brasileiras.

"Se parecer que o Levy vai continuar perdendo as batalhas, o mercado vai começar a colocar no preço a possibilidade de ele sair do governo, e aí sim o dólar explode", disse o operador de um importante banco internacional.

Nesse quadro, o dólar chegou a atingir R$ 3,2998 na máxima desta sessão, debatendo-se com resistência no patamar de R$ 3,30. Segundo operadores, alguns investidores não acreditam que a divisa encontrará forças para superar esse patamar e, por isso, aproveitaram os avanços para vender.

Um fator importante para determinar os próximos passos da divisa é a postura do Banco Central em relação a suas intervenções no câmbio e expectativas de que ele, eventualmente, possa elevá-las. A expectativa é que o BC anuncie em breve a rolagem dos contratos de swap cambial, equivalentes a venda futura de dólares, que vencem em setembro, correspondentes a US$ 10,027 bilhões.

"Se o BC continuar rolando apenas pouco mais de 70% dos swaps, como tem feito, colocará um piso em R$ 3,20", escreveram estrategistas do Morgan Stanley em relatório.

O BC não tem rolado integralmente os contratos que vencem, sinal lido pelo mercado de que a autoridade monetária estaria disposta a tolerar o dólar mais elevado mesmo com a inflação pressionada, em meio ao cenário de fraca atividade econômica.

Nesta manhã, o BC vendeu a oferta total no leilão de rolagem de swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares. Com isso, já rolou o equivalente a US$ 4,804 bilhões, ou cerca de 45% do lote que vence no início de agosto, que corresponde a US$ 10,675 bilhões.

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