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Acyr Santinho Motta: a idealista não morreu, eternizou-se!

Brasília Galvão
| Tempo de leitura: 2 min

Uma grande mulher existe, pois é impossível falar de Acyr no passado. O seu exemplo perpassa pelas nossas vidas, o tempo todo. Tenho o prazer e honra de ser sua amiga. Sinto-me, portanto, autorizada a falar um pouco da sua trajetória.


Acyr: mãe, avó, esposa, filha, irmã e amiga abnegada. Doou-se por inteira aos seus. Os graves problemas de saúde que suportou ao longo da vida não a tornaram frágil, mas essencialmente forte. A guerreira não esteve adstrita aos afazeres profissionais e familiares. Apesar de todas as intempéries, ela dedicou grande parte da sua vida na luta pelos direitos humanos.   


Acyr é a grande precursora do movimento feminista em Bauru. O Conselho da Mulher, originalmente concebido como Conselho Municipal da Condição Feminina, foi uma das suas grandes conquistas. Em estágio avançado de sua militância, Acyr nos ensinou que feminilidade não é uma condição, mas o atributo biológico e psíquico que identifica as mulheres, a ensejar a alteração da terminologia.


O referido Conselho, durante décadas, atuou na defesa e promoção dos direitos das mulheres, disseminando informações à sociedade civil e propondo políticas a serem capitaneadas pelos Poderes Públicos para erradicação da discriminação por gênero e da violência doméstica.


No combate ao machismo, com altruísmo, Acyr agregava pessoas de ideologias díspares. Em tempos de eleições municipais, a presidenta do Conselho da Mulher promovia a capacitação de candidatas de todos os partidos, ansiando o aumento da participação feminina na política. Ademais, proferia palestras, organizava conferências municipais e representava Bauru, com brilhantismo, em eventos de âmbito estadual e federal.


Sua luta não se reduziu ao feminismo, porquanto prestou inúmeros contributos à causa dos negros e das pessoas LGBT. Acyr, a defensora dos direitos humanos e da democracia, se perpetua na história de Bauru. Aos que militam na sua marcha, pela erradicação dos preconceitos, Acyr sempre será estrela guia. Por tantos motivos, a idealista não morreu, eternizou-se.


A autora é amiga e ex–conselheira do Conselho da Mulher

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