Bairros

Brechós garantem sobrevivência de entidades

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

João Rosan
Associação Chico Xavier mantém um bazar no Centro da cidade, coordenado pelo barbeiro Pedro Paulo Tonin

Manter as contas em dia sempre foi um dos principais desafios de entidades beneficentes e associações, que apostam em diversas táticas para deixar o caixa no azul: contribuições, eventos, sorteios e também os tradicionais brechós, que vendem roupas e outros artigos como calçados e utensílios domésticos a preços populares.

Com dificuldade em ter um número elevado de contribuições em dinheiro de maneira direta, entidades dos mais diversos setores têm intensificado a realização dos bazares. Em algumas, o montante arrecadado chega a representar mais da metade do orçamento anual - há casos de ser até 80%.

Antes esporádicos, agora os brechós acontecem o ano todo. Algumas entidades realizam em datas fixas, uma vez por mês ou a cada dois meses, por exemplo. Outras até criaram um bazar permanente, como é o caso da Associação Chico Xavier, que promove ações sociais com pessoas carentes e moradores de rua.

Segundo o presidente da Associação, César Esteves Moron, aproximadamente 50% da receita mensal é proveniente de um bazar fixo, o ‘Brechico’, que fica na rua Cussy Júnior, 3-51, no Centro da cidade, e abre de segunda a sexta-feira, das 12h às 17h, e aos sábados das 9h às 12h.

“Até o ano passado promovíamos bazares de forma eventual, em datas específicas, mas sempre com boa demanda. Aí surgiu a ideia de ter um local fixo, e desde dezembro de 2014 estamos com o Brechico, que é o Brechó da Associação Chico Xavier. O nome é uma homenagem ao próprio Chico Xavier”, detalha.

A Associação arca com as despesas gerais, como água e luz, mas o imóvel foi cedido, por isso não há o custo com locação. Todo o material para melhorias no prédio também é oriundo de doações.

Alternativa
César Moron salienta que o bazar tornou-se uma opção necessária, pois atualmente menos pessoas conseguem contribuir com dinheiro, diretamente. “Parte da nossa receita vem também das contribuições e de eventos que são realizados ao longo do ano, do próprio Feiramor, que é anual. Mas o brechó já corresponde a mais ou menos metade do que a gente arrecada, e é com esse dinheiro que mantemos as atividades do Centro e também as ações sociais”, pontua. “Entre os trabalhos sociais, fazemos uma visita a moradores de rua a cada 15 dias, quando é feita uma entrega de peças de roupa. Também repassamos parte das roupas que chegam para a gente para outras entidades, que entram em contato”, completa.

Para ele, o conceito de brechó mudou. “A gente sempre pede para que as pessoas tragam roupas, calçados e outros objetos que não usem mais, porém que estejam em bom estado de conservação. Os preços que a gente pratica no brechó são quase simbólicos, até para que mais pessoas tenham acesso. Muitos compram para uso próprio, outros para revender, fazer alguma doação. E os itens variam desde roupa até bijuterias e bicicleta”, explica Moron.

Ele cita ainda que as pessoas que trabalham no ‘Brechico’ são voluntárias, e dispõem parte do seu tempo para atender os clientes e também fazer a triagem dos produtos que chegam.


Social

Além de abranger muito mais classes sociais atualmente, os brechós de entidades e igrejas são locais que reúnem famílias inteiras, e também amigos dispostos a doar parte de seu tempo. Quem coordena o ‘Brechico’ é o barbeiro Pedro Paulo Tonin, de 50 anos, que divide seu tempo entre a barbearia que possui, a quatro quadras do local, e o bazar. “Tudo o que a gente consegue é por meio de doação. Fazemos um preço acessível, e uma vez por mês é feita a venda de vários produtos a R$ 1,00. Tem até proprietários de brechós que vêm aqui comprar. É bom para eles, que conseguem um preço bom, e para a Associação, que vende uma boa quantidade de uma só vez”, cita.

O foco do brechó é social, reitera Pedro Paulo. “Também fazemos um trabalho junto às pessoas de rua, tem moradores carentes que vêm aqui e nós doamos roupas, calçados, sem custo algum. Fazemos isso para entidades também e para pessoas que foram vítimas de alguma situação como incêndio, enchente. O objetivo da Associação Chico Xavier é divulgar a doutrina espírita, e o brechó ajuda neste sentido, tanto arrecadando fundos, como também na prática direta da caridade”, observa.

 

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