| João Rosan |
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| Associação Chico Xavier mantém um bazar no Centro da cidade, coordenado pelo barbeiro Pedro Paulo Tonin |
Manter as contas em dia sempre foi um dos principais desafios de entidades beneficentes e associações, que apostam em diversas táticas para deixar o caixa no azul: contribuições, eventos, sorteios e também os tradicionais brechós, que vendem roupas e outros artigos como calçados e utensílios domésticos a preços populares.
Com dificuldade em ter um número elevado de contribuições em dinheiro de maneira direta, entidades dos mais diversos setores têm intensificado a realização dos bazares. Em algumas, o montante arrecadado chega a representar mais da metade do orçamento anual - há casos de ser até 80%.
Antes esporádicos, agora os brechós acontecem o ano todo. Algumas entidades realizam em datas fixas, uma vez por mês ou a cada dois meses, por exemplo. Outras até criaram um bazar permanente, como é o caso da Associação Chico Xavier, que promove ações sociais com pessoas carentes e moradores de rua.
Segundo o presidente da Associação, César Esteves Moron, aproximadamente 50% da receita mensal é proveniente de um bazar fixo, o ‘Brechico’, que fica na rua Cussy Júnior, 3-51, no Centro da cidade, e abre de segunda a sexta-feira, das 12h às 17h, e aos sábados das 9h às 12h.
“Até o ano passado promovíamos bazares de forma eventual, em datas específicas, mas sempre com boa demanda. Aí surgiu a ideia de ter um local fixo, e desde dezembro de 2014 estamos com o Brechico, que é o Brechó da Associação Chico Xavier. O nome é uma homenagem ao próprio Chico Xavier”, detalha.
A Associação arca com as despesas gerais, como água e luz, mas o imóvel foi cedido, por isso não há o custo com locação. Todo o material para melhorias no prédio também é oriundo de doações.
Alternativa
César Moron salienta que o bazar tornou-se uma opção necessária, pois atualmente menos pessoas conseguem contribuir com dinheiro, diretamente. “Parte da nossa receita vem também das contribuições e de eventos que são realizados ao longo do ano, do próprio Feiramor, que é anual. Mas o brechó já corresponde a mais ou menos metade do que a gente arrecada, e é com esse dinheiro que mantemos as atividades do Centro e também as ações sociais”, pontua. “Entre os trabalhos sociais, fazemos uma visita a moradores de rua a cada 15 dias, quando é feita uma entrega de peças de roupa. Também repassamos parte das roupas que chegam para a gente para outras entidades, que entram em contato”, completa.
Para ele, o conceito de brechó mudou. “A gente sempre pede para que as pessoas tragam roupas, calçados e outros objetos que não usem mais, porém que estejam em bom estado de conservação. Os preços que a gente pratica no brechó são quase simbólicos, até para que mais pessoas tenham acesso. Muitos compram para uso próprio, outros para revender, fazer alguma doação. E os itens variam desde roupa até bijuterias e bicicleta”, explica Moron.
Ele cita ainda que as pessoas que trabalham no ‘Brechico’ são voluntárias, e dispõem parte do seu tempo para atender os clientes e também fazer a triagem dos produtos que chegam.
Social
Além de abranger muito mais classes sociais atualmente, os brechós de entidades e igrejas são locais que reúnem famílias inteiras, e também amigos dispostos a doar parte de seu tempo. Quem coordena o ‘Brechico’ é o barbeiro Pedro Paulo Tonin, de 50 anos, que divide seu tempo entre a barbearia que possui, a quatro quadras do local, e o bazar. “Tudo o que a gente consegue é por meio de doação. Fazemos um preço acessível, e uma vez por mês é feita a venda de vários produtos a R$ 1,00. Tem até proprietários de brechós que vêm aqui comprar. É bom para eles, que conseguem um preço bom, e para a Associação, que vende uma boa quantidade de uma só vez”, cita.
O foco do brechó é social, reitera Pedro Paulo. “Também fazemos um trabalho junto às pessoas de rua, tem moradores carentes que vêm aqui e nós doamos roupas, calçados, sem custo algum. Fazemos isso para entidades também e para pessoas que foram vítimas de alguma situação como incêndio, enchente. O objetivo da Associação Chico Xavier é divulgar a doutrina espírita, e o brechó ajuda neste sentido, tanto arrecadando fundos, como também na prática direta da caridade”, observa.
