Hoje comemora-se o Dia dos Avós, data criada para homenagear os pais de nossos pais, tendo como referência uma data cristã: pelo calendário da Igreja Católica Apostólica Romana, o dia é dedicado a Santa Ana e São Joaquim, avós de Jesus. Mas não se sabe exatamente o porquê, ao menos no Brasil, dia 26 é uma data já institucionalizada como “Dia da Vovó”.
Uma das hipóteses aventadas é o fato de que historicamente Santa Ana, ou Sant´Ana, como é a grafia mais arcaica foi mais retratada, por pintores de obras sacras. A exemplo de Maria, mãe de Jesus, ser mais conhecida e ter dado origem a centenas de santas “Nossas Senhoras”, enquanto o pai, São José, o carpinteiro, é bem menos retratado.
Explicação
Outra explicação está ligada também à tradição de se homenagear mais a mulher, tanto que 8 de março, Dia da Mulher, é bastante conhecido e comemorado e o Dia do Homem, transcorrido no último dia 15, passou praticamente batido. Será que alguém se lembrou ou sabia que 15 de julho é o Dia do Homem?
E as avós estão mesmo em evidência nos dias de hoje. Até porque devemos esquecer a ideia daquela senhorinha idosa, com óculos fundo de garrafa, de visão embaçada, andar lento, sentada em uma cadeira de balanço e a tricotar ou quando tinha mais energia a mexer apenas nas panelas.
Antenadas
Tudo mudou. As avós são mulheres antenadas, conscientes de seu tempo, daquelas que os netos vão se lembrar não apenas pela atenção, carinho que oferecem, por serem o esteio da família, aglutinadoras e terem muita experiência de vida para passar, mas também por serem mulheres modernas e totalmente integradas a um novo tempo.
Elas fazem ginástica, viajam muito - não raro com os netinhos – até mesmo para o Exterior, são vaidosas, cuidam do corpo e da mente e... usam a Internet. Isso mesmo: há muito tempo, tiraram de letra os e-mails e estão devidamente conectadas nas redes sociais. E através dessa expertise detêm não apenas experiência de vida, mas também muito conhecimento.
O prazer de suas vidas é ver a família bem, os netos então nem se fala, todos em harmonia, com saúde, felizes e integrados. E elas próprias, paralelamente ao fato de serem “vovós corujas”, são mulheres bonitas, bem cuidadas, educadas e com a autoestima em alta.
| Fotos: João Rosan |
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| Vânia Clementino com os netos Fabrício Clementino Costa e Elisa Clementino Costa; sua página das redes sociais não esconde que é vovó coruja |
Idade assumida e viciada em Netflix
Um exemplo disso está em Vânia Clementino, avó coruja confessa de Fabrício Clementino Costa, de 9 anos e Elisa Clementino Costa, de 4, filhos de sua filha mais nova. Vânia não esconde a idade: aos 68 anos que, por sinal, nem aparenta ter “quase setentona”, brinca. A professora de inglês aposentada lembra de seu tempo em que para criar o casal de filhos não podia ser mãe em tempo integral. “A gente sempre tinha que terceirizar alguma coisa” e fica bastante feliz de ver que a filha já conseguiu independência financeira familiar suficiente para poder ser mãe em tempo integral.
Mas Vânia admite que gosta mesmo é de ser avó em tempo integral. Como se aposentou cedo, e logo depois dela, o marido também se aposentou, teve tempo de viajar, passear um pouco, curtir com o esposo até os netos chegarem e, agora, “nem as viagens, nem os passeios têm a mesma graça se não for com eles”, admite.
Além de estar paparicando sempre os pequenos, transformar a sala de casa em um verdadeiro ateliê de pintura e desenho (por sinal, os dois exibem com orgulho suas “obras artísticas”) Vânia, nas horas em que não está com eles, está utilizando a Internet. Admite que está gostando muito do Netflix, a rede de filmes sob demanda, “onde sempre há um filme interessante para a gente ver, isso vira um vício” e é também adepta do uso do Facebook, além de dominar o computador, o netbook e os tablets com maestria.
Mas essa vovó coruja, como boa professora que sempre foi, não descuida de prestar atenção e passar aos netos outros valores: “a base familiar, uma boa base é o mais importante de tudo, o respeito, a educação, eles têm isso através da igreja e do colégio. O Fabrício já faz squash e tudo o que ela quer é continuar assim: bem saudável, lúcida, antenada, ajudando os pequenos a se sentirem melhor”.
Com certeza, esses valores que veem com a sua família e a do seu marido, desde “os tempos da estrada de ferro, meu pai foi um engenheiro dela”, são passados para os netos e,ela espera que sigam para os bisnetos. Com certeza, diz Vânia, “os netos foram demais, eles ajudam a prolongar a vida”. E falando em prolongar e ter uma boa vida, Vânia tem um sonho: ainda quer ver Fabrício se formando arquiteto como ele quer ser, quero ver a Elisa de noiva, “se Deus assim permitir”, e que eles escolham “um parceiro e uma parceira muito legal”. Quer sonho melhor para o dia dela?
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| A vovó Vera Lúcia Padovino Cardoso Álvares com as netas Cecília Tolgyesi Cardoso e Tânia Cardoso Capelini |
‘Não vejo mais nada na vida onde não as inclua’
“Ser avó para mim é viver constantemente um amor sincero, puro, despretensioso, voltando a ser criança, revivendo um passado bem distante. Um ser que, durante uma vida inteira nunca fez parte de sua vida, você nem ao menos conhecia e, de repente, te toma de sobressalto e passa a ser o centro de seu universo, de sua vida, como o mais importante para você sobreviver”. Assim define o que é ser avó, a aposentada Vera Lúcia Padovino Cardoso Álvares, que tem duas duas netinhas e acrescenta: “o amor de vó é gerado pela sua alma, é tão profundo que ultrapassaria o seu coração”.
Mãe de três filhos, Vera lembra que o nascimento da primeira neta, Cecília Tolgyesi Cardoso, vinda do casamento do filho mais velho, de dois anos, mudou completamente sua vida. E depois de ter mais uma netinha, a Tânia Cardoso Capelini, com quase um aninho, filha de uma das suas filhas, deixou a sua própria vida “mais feliz, completa e realizada”.
Hoje ela não vê mais nada na vida onde não as inclua. “Nas minhas viagens, meus passeios, meus sonhos...sempre elas estão incluídas. Nada mais tem sentido sem a presença das netinhas em minha vida, minha casa”.
“Eu me derreto ao ouvi-las chamar vovó Vera”, confessa, para acrescentar a renovação de vida que houve em sua casa: “voltamos aos enfeites de Natal, à presença do Papai Noel, às brincadeiras infantis, aos brinquedos espalhados, é o maior presente que um filho pode dar aos pais”.
Mãe, esposa e avó, aos 62 anos, Vera também não tem o perfil de vovó aposentada. Ao contrário, é muito ativa: “continuo estudando inglês, fazendo academia, bordado, tenho vários grupos de amigas, nos revezamos em viagens, cafés, reuniões... quando as netinhas permitem, né?” diz, visivelmente feliz. Isso sem falar nos grupos de Internet. Aliás, ela interage muito bem quando o assunto é informática.
“Uso a Internet há muito tempo. Faço pagamentos bancários. Diariamente leio todas notícias do Brasil e do mundo pela Internet. Faço buscas para tomar conhecimento do que quero e preciso, sou conectada com merriam webster para meu curso de inglês, de uma vida inteira, uso e-mails, tenho o perfil no Facebook sem contar que gosto de ver filmes e shows pela TV a cabo”.
Mas ela confessa que tem um hábito antigo arraigado: “não deixo de ter em mãos diariamente o jornal. Não tem jeito. Jornal, especialmente com as notícias locais, e revistas têm que ser do jeito tradicional. Adoro”, confessa a vovó coruja assumidíssima.

