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CPP-3 completa 60 anos com reeducandos até na faculdade

Por Guilherme Moraes | Especial para o JC
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Alex Mita

Divulgação
Alex dos Santos Souza, diretor do CPP-3, fala sobre a unidade

Em julho de 1955, um decreto assinado pelo então governador Jânio Quadros transferia os prédios de uma antiga escola agrícola para a Secretaria da Justiça e Negócios do Interior, abrindo espaço para a criação da primeira unidade prisional de Bauru: o Instituto Penal Agrícola (IPA). Passadas seis décadas, já sob o nome de Centro de Progressão Penitenciária 3 (CPP-3), hoje, a instituição se orgulha em manter a essência agrícola para ajudar na ressocialização dos detentos. Alguns, inclusive, estão na faculdade.

A história da CPP-3 começa em meados da década de 1940, com a inauguração da Escola Prática de Agricultura “Gustavo Capanema”, na zona rural de Bauru. A instituição de ensino funcionou até 12 de julho de 1955, quando o decreto do governador Jânio Quadros autorizou o uso dos prédios pelo Departamento Estadual de Presídios.

No ano seguinte, um novo decreto batizava a unidade prisional com o nome que até hoje é lembrado pelos bauruenses: Instituto Penal Agrícola (IPA). A denominação de Centro de Progressão Penitenciária “Professor Noé Azevedo” veio só em agosto de 2011.

Durante todo o processo, o trabalho no campo foi o principal elemento usado para ressocializar os detentos. “Ainda hoje, muitos dos nossos reeducandos trabalham no manejo do gado ou no cultivo das nossas hortas. Além criar gado e carneiros, produzimos milho, cana-de-açúcar, mandioca e outros produtos, a maior parte para consumo próprio. O restante é vendido e o dinheiro, reaplicado na unidade”, explica o atual diretor do CPP-3, Alex dos Santos Souza.

De acordo com a aptidão, eles podem ainda trabalhar na oficina mecânica ou no setor de limpeza dos prédios, entre outras opções. Além da remição da pena – um dia a menos para cumprir a cada três trabalhados –, eles recebem uma remuneração de aproximadamente um salário mínimo. Outros ainda prestam serviços para parceiros da penitenciária, como as secretarias municipais de Meio Ambiente e de Obras.

Alex dos Santos Souza, diretor do CPP-3, fala sobre a unidade

Nas universidades
Outro motivo de orgulho da unidade é o sucesso de um projeto educacional que já colocou até detentos na universidade. “Tudo começou com um curso preparatório para o Enem implantado em 2011. Deu tão certo que, desde então, já tivemos 18 reeducandos aprovados na faculdade por conta das boas notas no exame. Atualmente, três estão fazendo as aulas normalmente, com autorização da Justiça”, afirma Santos.

Em 7 de setembro de 2013, o JC fez reportagem com o trio de reeducandos que tentava uma nova vida nos bancos das universidades.

Para comemorar as seis décadas de funcionamento, a unidade realizou um jantar para a diretoria, funcionários e autoridades locais, neste mês, no Buffet Realce. Na ocasião, também ocorreu homenagem pela Câmara Municipal, que, no mês passado, aprovou uma moção de aplauso ao CPP-3.

Acima do limite
Mas nem tudo são “flores”. Segundo dados da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (SAP), hoje, o CPP-3 abriga 1.190 reeducandos, cerca de 5% acima de sua capacidade, todos em regime semi-aberto. A maior parte cumpre pena por crimes relacionados ao tráfico de drogas, mas também há condenados por homicídio, roubo e furto.

O CPP-3 é uma das 136 unidades prisionais e um dos 15 centros de progressão penitenciária do Estado. Bauru ainda conta com outros dois CPPs e um Centro de Detenção Provisória (CDP).


‘Presos ilustres’

O CPP-3 já abrigou detentos “famosos”. Um deles foi o chinês Law Kin Chong, considerado o maior contrabandista do Brasil. Em 2004, o empresário, que controlava diversos shoppings e lojas na Galeria Pagé, em São Paulo, foi preso pela Polícia Federal.

Outro condenado “ilustre” que passou pela unidade foi o ex-cirurgião plástico Hosmany Ramos. O médico foi preso em 1981 com aviões roubados e ainda acabaria condenado pela morte de um piloto.

Antigo IPA de Bauru, hoje CPP-3, completa 60 anos sem perder sua essência agrícola

 

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