Polícia

"O Cassius nunca esteve tão feliz"

Vinicius Lousada e Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

João Rosan
No velório do diretor da Escola Estadual Ada Cariani, o sentimento era de incredulidade

Além da tristeza e da dor, incredulidade e incompreensão. Familiares, amigos e colegas de trabalho que acompanhavam ontem o velório de Cassius Marcelus Magri não entendiam o que poderia ter motivado o brutal assassinato do professor, que foi atingido por um tiro no peito, na frente de sua casa, no Jardim Pagani, na noite de sexta-feira. Descrito como um homem tranquilo e sem vícios ou rixas, aos 37 anos, ele demonstrava extrema felicidade nos últimos dias por ter assumido a direção da Escola Estadual Ada Cariani, no Núcleo Mary Dota.

“O sonho dele era voltar para a nossa escola. Ele nunca esteve tão feliz assim. Durante todo o dia, o Cassius pegava um terço na mão, ia até a Bíblia e agradecia. Estava com muita gana e vontade, cheio de ideias e sonhos”.

A declaração é de Maria Soraya Quaggio Duarte, vice-diretora do Ada, onde já tinham trabalhado juntos no início dos anos 2000. Ela esteve com o professor durante a manhã e a tarde de sexta-feira, horas antes de sua morte, inteirando-o sobre os procedimentos e outros detalhes da unidade.

“Era muito companheiro, querido pelos alunos e por todos os colegas. Não tinha problemas com ninguém. Foi recebido com festa pelos professores que estão em reposição e já o conheciam. Imagina como seria no retorno para o segundo semestre das aulas?”, lamenta.

Primo da vítima, Daniel Regino Bicudo, 31, conviveu com Cassius desde a infância e endossa o clima de perplexidade da família. “Ele não usava drogas. Não tinha nada que o desabonasse. Todas as sextas-feiras, quando meu tio chegava de viagem, a gente fazia um churrasco, mas não deu tempo ontem [anteontem]. Nós estamos tristes, mas muito ansiosos por esclarecimentos”.

Outros parentes relatam ainda que o professor era discreto em sua vida privada e que, há pouco tempo, tinha começado a namorar. Filho único, tem mãe e pai idosos e com problemas de saúde. Cassius foi sepultado na tarde de ontem, no Cemitério da Saudade.

PROMOÇÃO
Diretora regional de ensino, Gina Sanchez estava no velório. “Além da perda do ser humano, lamentamos por deixar de contar com um excelente profissional, muito dedicado. Foi recém-nomeado diretor escolar e havia assumido essa função há apenas três dias. Estou aterrorizada com a violência”.

Gina disse, ainda, que colocará à disposição da família de Cassius a estrutura da diretoria a fim de orientá-la sobre direitos referentes à pensão e outros auxílios.


Mensagens de ameaça são apresentadas à polícia

Em boletim de ocorrência, a Polícia Civil confirmou que recebeu cópias das mensagens contendo ameaças que Cassius Marcelus Magri teria recebido em diversas ocasiões, antes de morrer. Procurado na tarde de ontem, o delegado Kleber Granja, responsável pelo caso, afirmou que não poderia confirmar detalhes, como o nome do suspeito ou mesmo o grau de envolvimento entre vítima e autor, para não prejudicar as investigações.

Ainda na noite do crime, amigos do professor revelaram que ele vinha sendo ameaçado por uma pessoa conhecida, que teria enviado várias mensagens por meio de um aplicativo de celular. Embora Magri tivesse apagado o conteúdo do próprio aparelho, ele teria encaminhado cópias das conversas para um amigo advogado, que já as apresentou, anteontem, à Polícia Civil.

Conforme o JC noticiou, Magri foi morto com um tiro no peito por volta das 20h30 de sexta-feira, na varanda de sua residência, localizada na rua Manoel dos Santos Quialheiro, no Jardim Pagani. Segundo testemunhas, o autor do homicídio chamou a vítima no portão e chegou a conversar com ela, antes de atirar e fugir a pé.

Uma câmera de monitoramento da vizinhança pode ter registrado imagens do criminoso, que ainda é procurado. Testemunhas o descreveram como um homem aparentemente pardo ou negro, de estatura mediana, que vestia bermuda, boné e estava com uma mochila de cores preta e vermelha nas costas.

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