| Quioshi Goto |
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| Diagnosticado com hepatite C em 2005, Paulo passou a tomar combinação inovadora, porque era a única alternativa de cura |
Paulo Roberto Câmara, 51 anos, foi diagnosticado com hepatite C em 2005. Na ocasião, o homem se submeteu a uma bateria de exames durante um tratamento de infertilidade. Ele corria, jogava bola, trabalhava, enfim, vivia uma vida aparentemente normal, fato que dificultou a aceitação da doença. Mesmo assim, ele começou a se tratar no Serviço de Moléstias Infecciosas (SMI) de Bauru. Por um ano, tudo certo.
“Depois, me disseram que, no meu caso, não haveria cura e eu desisti do tratamento”, confessa Paulo Câmara, que está afastado por conta da doença há três anos. Todavia, o homem começou a sentir alguns sintomas que o preocupou, como dores no fígado e estômago. “Eu procurei outro médico, que me encaminhou ao Hospital Estadual de Bauru (HEB), onde recomecei o tratamento”, narra. Contudo, a doença tornou-se mais agressiva.
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Paulo começou a sentir dores nas pernas e, em 2012, perdeu o movimento dos membros, justo na época em que ele e esposa conseguiram, finalmente, adotar duas crianças. Depois de dois anos em uma cadeira de rodas e com o fígado comprometido, o paciente conseguiu um transplante bancado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Mesmo assim, o vírus da doença permaneceu no corpo de Paulo.
Quando o paciente já havia perdido as esperanças, novas combinações de tratamento que agregam maior chance de cura foram desenvolvidas por um laboratório americano. “É inédito, porque as drogas se adaptam ao tratamento de todos os subtipos da hepatite C, dependendo, claro, do grau de comprometimento do fígado”, explica o médico infectologista e coordenador do Ambulatório de Hepatites Virais do Hospital Estadual de Bauru (HEB), Gustavo Hideki Kawanami.
Paulo recebeu uma doação, que foi solicitada pelos médicos do HEB ao laboratório americano, porque era a única alternativa para o paciente. Inclusive, ele é o primeiro a utilizar a combinação de medicações do hospital, que abrange 38 municípios, mas pode se estender por outros 30. “Depois que comecei a tomar os remédios, mais especificamente no dia 3 de julho, não senti qualquer efeito colateral. Estou com esperanças de, finalmente, ser curado”, elogia o paciente.
Em relação a esta combinação “milagrosa”, conforme as palavras do próprio paciente, o infectologista ainda não pode informar os detalhes, só adianta que o tratamento tem duração aproximada de seis meses. Embora já liberada no Brasil, as regras para a prescrição ainda não foram publicadas. “Só foi prescrita ao Paulo, porque a medicação está autorizada, mas foi doada pelo laboratório e, no caso dele, era a única alternativa”, finaliza.
Como o medicamento é experimental, a reportagem preservou o seu nome e também a identificação do laboratório que o desenvolveu.
Sexo frágil?
Dados fornecidos pela assessoria de imprensa da Prefeitura de Bauru dão conta de que, entre os anos de 2012 e 2015, foram registrados 484 casos de hepatites virais em homens e 313 ocorrências em mulheres. O médico infectologista Gustavo Hideki Kawanami explica que o maior número de casos envolvendo homens decorre do padrão de comportamento masculino. “Os homens vão menos ao médico e, principalmente, hoje em dia, os portadores de hepatite C estão acima dos 40 anos, fato que se relaciona ao uso de anabolizantes injetáveis”, esclarece.

