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A falta de planejamento somada ao reduzido número de funcionários da Secretaria Municipal de Obras que, neste mês, está com cinco servidores da Divisão de Drenagens em férias, foram responsáveis por paralisar os trabalhos de contenção da “erosão gigante”, a maior da cidade, situada no Distrito Industrial 2. Com três pedreiros e dois ajudantes fora da pasta, a única alternativa encontrada pela prefeitura foi suspender a obra por duas semanas. Os serviços estão parados há exatamente uma semana.
Com cerca de 250 metros de extensão, 10 metros de largura e sete de profundidade, a cratera, localizada na quadra 2 da rua José Pinelli, é alvo de constante reclamação e preocupação dos empresários do Distrito 2, conforme noticiado pelo JC. Se ela atingir uma linha de transmissão próxima, dez cidades ficam no escuro.
No entanto, como 50% das providências a serem tomadas para conter a erosão já foram adotadas, o titular da pasta, Sidnei Rodrigues, remanejou funcionários para outras demandas pontuais pela cidade.
Ele explica que a Divisão de Drenagens é constituída por três equipes: uma de limpeza de bocas de lobo e duas que prestam serviços de construção ou reparo de galerias – cada uma destas com três pedreiros e cinco ajudantes. Uma dessas equipes atuava na “erosão gigante”, porém, como três pedreiros e dois ajudantes saíram em férias, os dois ajudantes remanescentes foram designados para outras atividades. “Não podemos adiar as obras pontuais, como afundamento de asfalto. Por isso, precisei reprogramar tudo e suspender os trabalhos no Distrito 2”.
| Éder Azevedo |
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| Obra parou na semana passada por falta de funcionários |
Menos 4 pedreiros
Desde janeiro deste ano, a Obras perdeu quatro pedreiros, que assumiram postos no DAE, após aprovação em concurso público, informa Sidnei Rodrigues. “Estamos sentindo esse déficit”, lamenta.
Como “plano B”, a autarquia apostou na reposição dos funcionários por meio de contratação, uma vez que, de acordo com Rodrigues, não era mais possível protelar as férias. “A gente não contava com essa baixa e acabou complicando nosso planejamento”.
Mas a Secretaria de Obras também não contava com corte de gastos no Executivo. Conforme pontuou Rodrigues, por conta do contingenciamento, Rodrigo Agostinho (PMDB) decretou, na semana passada, que o município só deve voltar a contratar a partir de outubro. “Vamos ter que aguardar”.
Em agosto
E a erosão gigante? Sidnei Rodrigues garante que, no próximo dia 3 de agosto, após as comemorações do aniversário de Bauru, o trabalho de reparo no Distrito Industrial 2 será retomado. “A gente calcula que as obras sejam concluídas em 30 dias”, reforça Rodrigues.
Ele reitera que optou por suspender a obra em razão dos trabalhos estarem adiantados. “Já concluímos 50% da obra e duas semanas parada não vai interferir muito, pois não há tráfego de veículos ali e não está interrompendo atividades comerciais”, justifica.
Conforme o JC já publicou, os serviços no local são preliminares, uma vez que o município tenta a formalização de um convênio com a Companhia de Desenvolvimento Agrícola de São Paulo (Codasp) para providenciar o aterramento definitivo da área.
Para isso, contudo, seria necessário implantar galerias pluviais, esgoto, guias e sarjetas de calçadas, além de asfalto. É uma obra orçada em cerca de R$ 4,5 milhões, dinheiro que a prefeitura não tem.
Segundo a administração municipal, 78% do desgaste na área onde surgiu a maior erosão de Bauru teriam sido provocados em decorrência das fortes chuvas que ocorreram no mês de março.
Buraco próximo a córrego
Uma outra erosão vem “invadindo” uma calçada de terra, às margens da quadra 20 da avenida Comendador Joaquim da Silva Martha (sentido Centro-Bairro), na região do Jardim Ferraz. Embora considerada pequena frente a do Distrito Industrial 2, já preocupa o advogado Wilson Sartori, 60 anos.
Na última quarta, ele procurou o JC para expor o problema, pois, abaixo do buraco (depois de um barranco), passa um córrego e as chances de alguém cair são grandes, conforme observa o morador.
“Eu caminho direto por ali e, devido às árvores, durante a noite, fica ainda mais escuro e é praticamente impossível notar a erosão, que aumenta a cada dia. Uma hora alguém vai cair no córrego. Pode ser um acidente fatal”, alerta.
A reportagem esteve no local e constatou que a cratera já está a menos de um metro de um poste de iluminação pública. Inclusive, outro buraco já se forma a poucos metros, na mesma calçada.
Titular da Secretaria de Obras, Sidnei Rodrigues garantiu que enviaria uma equipe para avaliar a área. “Se constatado que o terreno pertence à prefeitura, faremos o reparo. Se for particular, o proprietário será notificado”, prometeu.

