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Após lei, farmácias ainda tentam se firmar como unidades de saúde

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 2 min

Malavolta Jr.
Menegasso durante Moção de Aplausos entregue por Manfrinato

Dez meses após nova lei que permite aos farmacêuticos realizarem consultas e até vacinação entrar em vigor, as farmácias ainda lutam para se consolidar como unidades de saúde. A constatação foi feita pelo presidente do Conselho de Farmácias do Estado de São Paulo, Pedro Menegasso, que esteve há uma semana na Câmara Municipal, onde a Seccional de Bauru do Conselho de Farmácias recebeu Moção de Aplausos.

“O mercado vai demorar para se adaptar a isso porque existe uma cultura enraizada de comércio. As pessoas preferem procurar a farmácia que vende mais barato do que a mais segura”, explica Menegasso.

A nova legislação (Lei Federal 13.021/14, já conhecida como “Farmácia – Estabelecimento de Saúde”) entrou em vigor em setembro de 2014. A novidade possibilita, inclusive, que haja um espaço específico para a realização da consulta, como uma salinha atrás do balcão de atendimento. Os procedimentos, entretanto, podem ser cobrados. 

“A lei garante autonomia técnica ao farmacêutico, ou seja, o estabelecimento é obrigado a seguir as orientações sugeridas pelo profissional, independente do interesse do comerciante”, completa Menegasso.

Acontece que o conceito de “unidade de saúde” ainda está em processo de aceitação, conforme afirma o presidente do Conselho no Estado. “A gente espera que, com o tempo, todos se conscientizem, para que consigamos uma grande conquista na qualidade de vida e de saúde da população. Os farmacêuticos estão bem empenhados para que haja essa mudança”, afirmou.

Sem receita
Outra questão cultural ainda preocupa os farmacêuticos: a de pedir venda de antibióticos sem receita. Muitos pacientes, segundo Pedro Menegasso, ainda fazem o uso dos medicamentos de forma errada, talvez até por vergonha de perguntar ao médico.

“A população, muitas vezes, joga contra a saúde dela mesma. Antibióticos contêm produtos perigosos em sua composição. Se tomados de forma errada, podem gerar resistência bacteriana e causar gravíssimos problemas de saúde. Existem casos de pessoas que até morreram”, alerta.  

Pedro revela que, atualmente, há um controle mais rigoroso em relação à exigência da receita do que era feito há cerca de cinco anos. “As pessoas precisam colaborar e entender que, quando é solicitado apresentar a receita, significa que o risco de uso desses produtos é muito grande”, finalizou Pedro Menegasso.

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