Tribuna do Leitor

Fies - Brasil, Pátria educadora

Áureo Antonio Érnica
| Tempo de leitura: 3 min

Desde o início do segundo mandato da presidente Dilma, ficou evidente a sua conduta contrária a tudo o que prometeu durante a campanha. Entraves de todos os tipos para dificultar a operação Lava Jato, cortes de verbas para saúde e educação, aumento de impostos e outros que seria tedioso ficar repetindo.


Agora, fomos surpreendidos por mais uma medida, além de impopular, diametralmente oposta ao que se prega dezenas ou centenas de vezes ao dia, afirmando: “Brasil, pátria educadora”. Falo do descalabro de subir os juros do Fies de 3,4% ao ano para 6,5% ao ano, quase 100% de aumento, semelhante ao que os poderes legislativo, executivo e judiciário usualmente pleiteiam para o aumento dos próprios salários.


Que governo é esse? Além de diminuir o número de vagas para quem precisa e pretende obter o Fies para poder cursar uma faculdade, dobra-se o juro a ser pago após a conclusão do curso. E não me venham com a pueril desculpa do longo prazo para a quitação do mesmo.


O prazo já era longo com a taxa anterior, portanto, é uma incoerência falar em prioridade para a educação quando se cria dificuldades para o estudante brasileiro concluir o ensino superior que é o diferencial para classificar o nível de graduação da população, assim como mestrado e doutorado são itens imprescindíveis na avaliação das universidades em relação ao seu corpo docente.


Alguém do famigerado  PT pode me dar uma justificativa para isso que não contrarie as promessas de campanha e o jargão de “pátria educadora”?


Pobres dos nossos universitários já vinculados ao Fies que, ou se submetem ao abuso do aumento da taxa de juros, ou buscam o milagre de conseguir outra maneira de custear suas despesas para a conclusão do curso, ou ainda serem obrigados a abandonar o sonho de concluir um curso de graduação em uma universidade. E os potenciais candidatos? Será que vão ter coragem de encarar? Será que seus pais terão coragem de embarcar numa “aventura” cujos desdobramentos futuros serão imprevisíveis?


Um país que projeta um crescimento do PIB para 2015 de 3% e em julho já confessa que o mesmo será de 0,3% ou 0,25%, mas que sabe que dificilmente ele não será negativo até o final do ano. Que no último ano eleitoral falou em 3,5% e às vésperas da eleição já exibia uma meta de 0,3%, que também não se sustentou, merece que tipo de confiança da população?


Principalmente a classe mais culta, que consegue enxergar mais que um palmo à frente do próprio nariz. Os mais carentes ainda se agarram ao bolsa família e outras “esmolas” disfarçadas, com o objetivo de ganhar votos, tentar manter-se no poder, ainda tentam acreditar que a mudança para melhor ainda é possível. Contudo, o despencar dos índices de aprovação do governo Dilma dão a verdadeira expressão da desilusão e da perda de confiança que até os mais deserdados da sorte vem demonstrando.


E o governo o que faz para mudar o panorama político? Acho que nem eles ainda sabem, caso contrário não estariam metendo os pés pelas mãos como a atual situação mostra. É lamentável que as coisas andem assim. Já se diz de príscas eras que “cada povo tem o governo que merece”. Mas será que merecemos realmente tão pouco?

Comentários

Comentários