| João Rosan |
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| Acompanhada da filha Thaís, Luzia Cabral foi ao Poupatempo, nessa quarta-feira (29), em busca de vagas; veja no final dessa matéria |
Demissão e dificuldade de recolocação no mercado de trabalho fazem parte da realidade de boa parte dos trabalhadores, nos dias atuais. Mas, mesmo diante de um cenário econômico adverso, ainda é possível encontrar um grande volume de oportunidades de emprego na região.
Nesta semana, o programa Emprega São Paulo/Mais Emprego, agência gerenciada pela Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (Sert), divulgou a existência de 523 oportunidades de trabalho em Bauru e municípios vizinhos.
As vagas, contudo, oferecem salários que ficam, em média, em torno de R$ 1 mil e contemplam principalmente trabalhadores com Ensino Médio ou Fundamental.
“Na maioria, são vagas para funções operacionais. Em razão da crise, os empregadores não estão conseguindo aumentar os salários, mas continuam exigindo qualificação dos trabalhadores”, pontua o diretor regional da Sert em Bauru, Sandro Dionísio.
De acordo com ele, em razão desta exigência, muitos candidatos acabam não se enquadrando nos critérios e os que se adequam, em muitos casos, podem recusar a vaga devido à baixa remuneração. “Mas, diante da situação de desemprego e da necessidade de ter um salário, quase sempre ele acaba aceitando ganhar menos do que o emprego anterior e assume a função. Isso leva, contudo, a uma grande rotatividade de vagas”, pondera Dionísio, uma vez que, com salário reduzido, o trabalhador continuará procurando uma oportunidade mais vantajosa
Segundo dados da Sert, das 523 ofertas na região, 438 estão em Bauru, a maioria para trabalho nos setores de comércio e prestação de serviços. Do total, 100 são postos para representantes comerciais autônomos, outras 100 recuperadores de crédito, 50 para carpinteiros e outras 50 para corretores de imóveis.
“Esta última é uma exceção, porque está sendo oferecida por uma única construtora. O candidato, contudo, precisa ter registro no Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis)”, alerta Dionísio.
Mais cautela
Nas agências de recrutamento privadas, contudo, a dificuldade de recolocação no mercado de trabalho vem sendo percebida diariamente. Segundo Juliana Torres Gimenez, proprietária de uma empresa de recursos humanos em Bauru, até mesmo para funções de baixa remuneração tem sido difícil encontrar vagas disponíveis.
“O que percebemos é que, além do fechamento de postos em quase todas as empresas, quem continua empregado está mais cauteloso. Mesmo insatisfeito no trabalho, ele não deixa o emprego, o que faz com que a abertura de novas vagas seja ainda menor”, analisa.
Em relação à grande quantidade de vagas disponíveis na região, ela pondera que muitos trabalhadores podem estar desistindo de ter carteira assinada para trabalhar como autônomos.
“Em razão dos baixos salários, talvez, para eles, venha sendo mais vantajoso financeiramente trabalhar por conta, além de terem mais liberdade de horários e a possibilidade de descansarem aos finais de semana”, completa.
Onde procurar
Para ter acesso às vagas do programa Emprega São Paulo/Mais Emprego basta acessar o site https://www.empregasaopaulo.sp.gov.br, criar login, senha e informar os dados solicitados. Outra opção é comparecer ao Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) com RG, CPF, PIS e Carteira de Trabalho. O posto fica no Poupatempo de Bauru, na avenida Nações Unidas, 4-44, no Centro.
Pessoas com deficiência
O programa Emprega São Paulo/Mais Emprego oferece também, nesta semana, 97 vagas de trabalho que aceitam pessoas com deficiência na região. Em Bauru, são 50 vagas para corretor de imóveis e 20 para recuperador de crédito. Para ter acesso às oportunidades, basta acessar o site https://www.empregasaopaulo.sp.gov.br.
Sem crise
Todas as notícias sobre aumento do nível de desemprego no País não assustam a consultora de vendas Thaís Roberta Cabral, 26 anos. Para poder ficar mais tempo com o filho pequeno, de 3 anos, ela decidiu pedir demissão do atual emprego e, agora, procura uma nova oportunidade no mercado de trabalho.
E acredita que a vaga não demorará a surgir, já que possui sete anos de experiência na área. “Falta gente especializada. Nesta semana, vou fazer três entrevistas e ao menos uma delas deve dar certo. Tudo o que eu quero é não ter de trabalhar mais nos finais de semana, mesmo que seja para ganhar um pouco menos”, revela.
Nessa quarta, Thaís levou a mãe, a costureira Luzia Benedita Cabral de Moraes, 48 anos, ao Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT), da Sert, localizado no Poupatempo. O objetivo, segundo Luzia, era conseguir uma vaga no seu ramo de atuação e sair da informalidade.
“Estou há dois anos fazendo bicos como faxineira e costurando em casa. A carteira assinada dá uma segurança, uma renda garantida no final do mês”, observa. Hoje, Luzia já tem duas entrevistas marcadas em empresas que estão à procura de uma costureira e oferecem salários médios de R$ 1,2 mil.
