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O racismo não possui lógica, o oportunismo sim

Aline Ramos
| Tempo de leitura: 2 min

Certa vez me vi buscar explicações lógicas para ofensas racistas que recebi, ou um tratamento inferiorizado. Nunca vi sentido, não existia explicação. Racismo não é divergência pessoal, política ou crítica. Racismo não é aquele xingamento que escapa quando você está com a cabeça quente numa discussão.


O professor João Eduardo Hidalgo aproveitou todo o caso sobre racismo direcionado ao professor Juarez Xavier para promover-se como vítima num cenário em que foi criticado por seu trabalho por estudantes. Em artigo publicado ontem no Jornal da Cidade de Bauru, fez uma infeliz comparação entre críticas profissionais e racismo.


Em 2011, ano em que entrei na Unesp, o Cacoff (centro acadêmico), realizou uma ação em que colou cartazes dando codinomes aos professores e ressaltando críticas ao trabalho desempenhado por estes. A repercussão do caso gerou num processo contra a entidade que rola até hoje na Justiça. Na época, entendemos como a estrutura de poder dentro da universidade lesa sempre o lado mais fraco: estudantes envolvidos na política universitária.


Quando o professor Hidalgo faz essa comparação, induz que o racismo possui lógica, como as críticas feitas ao seu trabalho na época possuíam. Induz que o racismo é banal, coisa pessoal, feita por gente mesquinha, maldosa, recalcada. Induz que é desvio moral.


Racismo não é questão pessoal, é estrutural. Ele está em todos os setores da sociedade e não só nas paredes de um banheiro. Parem de alegar que simpatizam com tal pessoa negra e por isso se revoltam com o racismo. Não é isso que queremos, declarações de amor e admiração. Elas são bem-vindas, mas não quando falamos de racismo.


Se estão realmente preocupados como alegam em suas publicações no Facebook, estudem, olhem para si e reconheçam que reproduzem racismo até quando não querem e que são privilegiados.


Não importa como você conheceu pessoa x, como admira pessoa y. Sabe o que importa? O racismo ser debatido com a importância que deve. Caso se neguem a isso, veremos cada vez mais oportunistas como o professor João Eduardo Hidalgo ganhando voz. Veremos novamente pessoa brancas oportunistas pisando em nossa dor.


A autora é jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita FIlho (Unesp), e idealizadora do blog “Que Nega é Essa?”

 

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