| Douglas Reis |
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| Grupo instalou oito barracas no Palácio das Cerejeiras e só saiu após reunião com Agostinho |
Cerca de 40 integrantes do Movimento Irmã Dorothy, da Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL), instalados na fazenda Geada, em Agudos, permaneceram acampados em frente ao prédio da Prefeitura de Bauru entre a noite de terça-feira e a manhã dessa quinta-feira (30), quando foram recebidos pelo prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) e o secretário municipal da Agricultura e Abastecimento (Sagra), Chico Maia.
Os sem terra procuraram o chefe do Executivo para pedir a intervenção dele junto à superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), na tentativa de agilizar a entrega de 245 lotes divididos em duas fazendas situadas em Agudos, que já estariam destinadas para a reforma agrária.
“O Incra fez levantamento de áreas improdutivas em Agudos e constatou duas propriedades para entregar a essas famílias, que vivem hoje em situação precária. A prefeitura acompanha o trâmite e, como tenho bom relacionamento com o superintendente do Incra (Wellington Diniz Monteiro), estamos intermediando as negociações”, explicou Agostinho.
O Movimento Irmã Dorothy totaliza 245 famílias. Um dos representantes da bandeira, Paulo Henrique Rodrigues, 45 anos, disse que a liberação das terras teria sido anunciada há 20 dias, durante audiência na Câmara de Agudos, que contou com a presença de Wellington Diniz.
“Ficamos contente com a negociação de hoje (quinta-30), pois o Incra estipulou prazo de uma semana para liberar os lotes. No entanto, não divulgaram ainda quais seriam essas fazendas, justamente para que não ocorra a ocupação antecipada”, disse Paulo.
As oito barracas que estavam em frente ao Palácio das Cerejeiras, desde as 19h de anteontem, foram desmontadas. Por volta das 10h30 dessa quinta, o grupo deixou o local e retornou para a fazenda Geada, na cidade vizinha. Estava prevista na reunião de ontem a participação do prefeito de Agudos, Everton Octaviani (PMDB), o que não ocorreu em razão da agenda de compromissos do político. Acionado pela reportagem, o Incra não se manifestou o final da noite dessa quinta.
Três dias
Já dura três dias a ocupação de sem-terra nos prédios do Instituto BioSistêmico (IBS) - prestador de serviços e representante do Incra - e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em Bauru.
Desde quarta-feira, cerca de 480 manifestantes que integram a Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL) pedem a cassação do superintendente regional do Incra, Wellington Diniz Monteiro, e reivindicam alimento para as famílias assentadas em acampamentos espalhados pela região.
