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Dólar sobe e vai acima de R$3,40 pela 1ª vez em 12 anos; acumula alta de 10% em julho

Reuters
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O dólar subiu mais de 1% nesta sexta-feira (31), fechando acima dos R$ 3,40 pela primeira vez em mais de 12 anos, com as incertezas políticas e econômicas no Brasil pesando e levando os especialistas a apontarem tendência de alta pelo menos no curto prazo.

             
A moeda norte-americana subiu 1,59%, a R$ 3,4247 na venda, maior cotação de fechamento desde 20 de março de 2003, quando encerrou a R$ 3,478. Também em março de 2003 havia sido a última vez que o dólar tinha ido acima do patamar de R$ 3,40 reais.

             
Na semana, a divisa subiu 2,32% e, no mês, o avanço foi de 10,16%, maior alta mensal desde março (11,7%).

             

"O que preocupa bastante no futuro são os números da economia brasileira. Com os dados ruins, vamos ficando cada vez mais perto de perder o grau de investimento", disse o superintendente regional de câmbio da SLW, João Paulo De Gracia Correa, para quem o dólar pode ir "facilmente" acima de R$ 3,60 se o país for rebaixado.

             
Na terça-feira (28), a agência de classificação de risco Standard & Poor's alertou que o Brasil pode o status de bom pagador devido a riscos políticos, com denúncias de corrupção no âmbito da Lava Jato, e econômicos.

             
Nesta sessão, o resultado fiscal ajudou a azedar o humor dos investidores, após o governo informar déficit primário de 9,323 bilhões de reais em junho, pior leitura para o mês da história, número que ressalta as dificuldades do governo para equilibrar as contas públicas.

             

"Para qualquer lado que você olhar, tem notícia ruim, seja fiscal ou política", resumiu o superintendente de câmbio da corretora Tov, Reginaldo Siaca.

             
Além disso, os investidores também especulavam sobre a rolagem dos swaps cambiais --contratos que equivalem à venda futura de dólares-- que vencem em setembro, correspondentes a 10,027 bilhões de dólares.

             
O BC rolou pouco menos de 60% dos swaps que vencem na segunda-feira (3), a menor proporção em mais de um ano. O mercado questiona se a autoridade monetária continuará com a estratégia de rolagens reduzidas diante da escalada recente da moeda norte-americana, que tende a pressionar a inflação.

             

"Num momento como este, o BC não deve anunciar uma rolagem menor e se fizer isso vai causar mais estresse no mercado", disse o operador de câmbio da Correparti Corretora Jefferson Luiz Rugik, para quem o dólar pode ir a R$ 3,50 no curto prazo.

             
Durante a manhã, a briga pela formação da Ptax, taxa calculada pelo BC que serve de referência para diversos contratos cambiais, deixou a moeda norte-americana volátil, com investidores disputando para deslocar a taxa a patamares favoráveis a suas posições. 

             
No exterior, o dólar recuava em relação a uma cesta de moedas, após avançar com força nas últimas sessões diante das expectativas de alta de juros nos Estados Unidos e preocupações com a desaceleração da economia chinesa.

 

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