Geral

Redação para o Enem é tema de livro

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 5 min

O assunto é a palavra escrita, mas os números não mentem jamais. E em se tratando de Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), é bom prestar atenção nos  números. Na edição 2014 mais de meio milhão de participantes tiraram zero na prova de redação.

Os motivos que levaram os examinadores a dar nota zero na redação são expressivos: 217,3 mil participantes fugiram ao tema; 13 mil copiaram trechos dos textos de apoio; 7,8 mil escreveram menos de sete linhas; 3,3 mil redigiram alguma parte desconectada do texto principal; e 955 - pasmem! - foram eliminados por ter ofendido os direitos humanos.

Outro número impressiona: dos 6 milhões de estudantes que fizeram o exame, apenas 250 tiveram a nota máxima (1.000 pontos). Os dados são do Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), instituição que organiza o exame.

De Bauru para o país

Ciente disso e de que esta é uma prova decisiva  - com as mudanças implementadas pelo Ministério da Educação (MEC) para a edição 2015, até mesmo para ser inscrito no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) o estudante terá de obter uma média mínima de 450 pontos -  o professor Murilo Oliveira de Castro Coelho, especializado em publicações didáticas escreveu um verdadeiro guia de “Redação Para o Enem”, lançado na última semana.

Editado em Bauru mesmo, pela Edipro - Edições Profissionais Ltda, o livro foi colocado à venda em todo o país. A rede de livrarias Saraiva já recebeu os exemplares. Na cidade, como o autor é bauruense, haverá uma noite de lançamento ainda em data a ser marcada “mas será breve, muito breve”, diz o professor.

Competências avaliadas

Falando a linguagem dos jovens estudantes o professor salienta: “Antes de começar a participar de um jogo, como War ou Banco Imobiliário, uma pessoa precisará dominar as regras e os aspectos técnicos e da história do jogo, caso contrário não será possível participar. Do mesmo modo, sem conhecer detalhadamente as normas para a produção da redação do Enem o participante poderá deixar a desejar e, consequentemente, receber uma nota que não atenda às suas necessidades para avançar na vida acadêmica”.

Segundo as regras da prova de redação, o participante receberá nota zero se apresentar uma das características a seguir:

1. fuga total ao tema;
2. não obediência à estrutura dissertativo-argumentativa;
3. texto com até sete linhas;
4. impropérios, desenhos e outras formas propositais de anulação ou parte do texto deliberadamente desconectada do tema proposto;
5. desrespeito aos direitos humanos; e
6. folha de redação em branco, mesmo que haja texto escrito na folha de rascunho.
Errar em um desses critérios é um pecado capital. E não é tão simples: “O estudante que terá de passar por uma prova tão complexa como a do 2º dia do Enem não pode deixar de conhecer os detalhes da redação exigida pela banca examinadora, que requer a produção de um texto na tipologia mista, isto é, dissertativa-argumentativa. Ressalte-se que na mesma prova o participante terá ainda de responder a 45 questões objetivas de matemática e mais 45 de linguagens, códigos e suas tecnologias”, ressalta ele.

Como a obra é bem didática, a um custo de R$ 39,90, o professor ainda exalta que o custo-benefício é bem interessante, levando-se em conta que um curso (que dura em média seis meses) de redação é oferecido por cerca de R$ 150,00 ao mês.

Coerência e argumentação

A estrutura da redação do Enem é composta de tese + argumentação + conclusão e pode valer até 1.000 pontos. “A coerência deve ser observada para o estudante não correr o risco de fugir ao tema. Já a coesão é necessária para o desenvolvimento da argumentação e “são muitos os detalhes que um estudante precisa conhecer para produzir um texto capaz de obter a nota máxima ou, pelo menos, uma nota razoável”. Tirar nota zero significa estar alijado da disputa.

Outro aspecto importante é a argumentação.  “A maior dificuldade encontrada pelos estudantes no Enem é a capacidade de argumentar. Quem quer se dar bem no exame precisa aprender a associar as informações que recebe dos textos de apoio com a sua visão de mundo.”

“Depois de haver formulado a tese, isto é, o posicionamento que será adotado frente ao tema da redação - que desde a criação do exame, em 1998, tem sido de problemas sociais exclusivamente brasileiros -, será preciso defender o ponto de vista com fundamentos consistentes”, argumenta o professor que dedica um capítulo a essa associação de ideias com elementos da atualidade.

Por sinal, ele acertou ao dar uma prova simulada aos seus alunos e pedir que fosse comentada a questão da “maioridade penal”, tema muito discutido recentemente. O assunto foi abordado no vestibular de meio de ano da Unicamp.

Quem é o autor

Licenciado em língua portuguesa e língua espanhola pela Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), o professor Murilo Oliveira de Castro Coelho ensina redação no Colégio Batista Brasileiro. Também atua como editor de obras didáticas para exames de diferentes instituições, entre elas Exame da OAB, Exame de Suficiência, concursos públicos, Enem e vestibulares. Coordena coleções de filosofia, sociologia e outras disciplinas nas áreas das ciências humanas. É autor de diversas obras didáticas, entre elas o livro “Novas Pegadinhas e Dicas de Estudo Para Vestibulares e Enem”, na 2ª edição; “Superguia Enem Atualidades”; entre outras obras.

Não pode zerar

Zerar na redação praticamente implica deixar de figurar na lista dos que obterão garantia de vaga nas universidades públicas. Atualmente, o ingresso no ensino superior público e gratuito está democratizado. Com a nota do Enem o estudante tem direito a fazer inscrição no Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Em 2015, foram oferecidas 205.514 vagas, em 5.631 cursos de 128 instituições de ensino superior públicas. Mas o sistema só aceita a inscrição de quem fez o Enem e não zerou na prova de redação.

 


 

Comentários

Comentários