Política

Pelo celular, cidadão bauruense pode ser "fiscal"

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.
Arnaldo Ribeiro e Lilian Abreu: equipe acompanha publicações na rede social em tempo real

O que fazer ao se deparar com aquele buraco no meio do asfalto? Ou com o vazamento que desperdiça água por dias e dias? E quando aquela lâmpada queimada deixa sua rua escura à noite? Antes, era necessário registrar uma reclamação no Poupatempo, mandar um e-mail para a prefeitura - sem saber quando a reposta chegaria - ou até mesmo procurar um vereador. Agora, a Prefeitura de Bauru e seus órgãos da administração indireta, como o DAE e a Emdurb, querem estabelecer contato direto com os munícipes e, principalmente, dar mais celeridade às muitas e justas reclamações da população. Isso será possível por meio de um aplicativo de gestão pública em celulares. Trata-se do Colab.

Para baixar o programa, o aparelho de telefone móvel precisa ter os sistemas operacionais Android ou IOS. O cadastro é feito rapidamente e, depois disso, o usuário já está apto para fotografar o alvo de sua reclamação, postando texto e imagem na rede social. Só precisa de uma conexão à internet.

Muita gente já faz isso pelo Facebook ou pelo Twitter. A diferença é que o apontamento é enviado diretamente ao poder público, gerando automaticamente um protocolo para que o munícipe e todos os outros usuários que curtirem a publicação recebam mensagens por e-mail ou SMS sobre o andamento do caso e as providências tomadas pelo poder público.

As postagens também já identificam a localização precisa do problema, facilitando a identificação do caso e a interação de outros adeptos da rede social.

Isso é possível graças a um convênio assinado junto ao Colab, sem custo algum à prefeitura. Antes de Bauru, outros 70 municípios já haviam aderido ao aplicativo, 15 deles no Estado de São Paulo: Campinas, Santos, Guarujá, Sumaré, Ubatuba, Valinhos, Altinópolis, Bananal, Holambra, Macatuba, Mineiros do Tietê, Mogi Mirim e Penápolis.

ENGAJAMENTO

“Bauru é uma importantíssima cidade do País e ter a prefeitura adotando oficialmente o Colab ajudará a população a se engajar e colaborar para uma cidade melhor”, diz Paulo Pandolfi, um dos cofundadores do aplicativo, lançado em 2013.

Chefe de Gabinete do prefeito Rodrigo Agostinho, Arnaldo Ribeiro pontua que, hoje, é impossível pensar na gestão pública descolada da interação com as redes sociais.

“Eu tenho certeza de que, além das reclamações, virão também muitas sugestões bacanas, com muita coisa que pode ser feita e que a gente, eventualmente, não consegue enxergar. Vai ser uma troca muito positiva. Além disso, o programa não tem pretensões políticas e se mantém por meio da venda de espaços publicitários”, ressalta.

O próprio aplicativo já oferece essa possibilidade. A cada postagem nova, o usuário opta entre os ícones “Fiscalize” (para publicar problemas), “Proponha” (para sugerir ideias e projetos) ou “Avalie” (para qualificar espaços como estádios esportivos, terminal rodoviário e aeroporto).

O poder público vai dar conta da demanda?

Para receber toda a demanda que deve ser enviada pela população por meio do Colab, uma equipe da administração municipal estará conectada ao painel de monitoramento do Colab, garantindo o acompanhamento da rede em tempo real e com o intuito de responder às publicações de forma personalizada.

Uma das integrantes dessa equipe, a diretora de Divisão de Assessoria de Comunicação Externa da Prefeitura de Bauru, Lilian Abreu Uehar, conta que, inicialmente, foram destacados para a tarefa dois funcionários de cada secretaria ou órgão da administração indireta.

“Embora já existam algumas manifestações espontâneas pelo aplicativo, após a divulgação do convênio com o Colab a procura, com certeza, vai aumentar bastante. Temos que estar preparados. Se for necessário, vamos ampliar o time que está dando retaguarda”, adianta.

Lilian conta que os integrantes da equipe se comunicam via WhatsApp - aplicativo de troca de mensagens de texto, voz e outras mídias -, onde decidem qual setor da administração deve cuidar de cada problema apontado pela rede social.

Ela cita ainda que podem surgir algumas demandas que não sejam de competência do poder público municipal. Nesses casos, os usuários receberão uma mensagem com a negativa do atendimento junto à exposição dos motivos.

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