Regional

Menino de 5 anos fica perdido em um canavial por 19 horas em Jaú

Lilian Grasiela e Ana Borges
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Márcio Almeida/Divulgação 
Equipes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros fizeram buscas pela criança desde sábado
O menino, que não se feriu, contou aos policiais que se perdeu no caminho de volta para casa

O desaparecimento de um menino de apenas 5 anos, ocorrido na tarde do último sábado (1), em Jaú (47 quilômetros de Bauru), mobilizou equipes da Polícia Militar (PM), Corpo de Bombeiros e até o helicóptero Águia. A suspeita inicial era de que ele teria se afogado em uma cachoeira. Após 19 horas de buscas, a criança foi encontrada. O menino contou que passou a noite em um canavial e, com frio, chegou a esfregar duas pedras para tentar acender uma fogueira.

Segundo informações da Polícia Militar (PM), por volta do meio-dia, Enzo Gabriel Fonseca Oliveira saiu com o tio e o cachorro do sítio onde mora, na zona rural de Jaú, para brincar na chamada “cachoeira do Banharão”, nas proximidades da rodovia Deputado Amauri Barroso de Sousa (SP-304), que liga Jaú a Mineiros do Tietê.

A mãe do garoto, Luana Maiara Fonseca, 24 anos, conta que seu irmão acabou cochilando às margens da cachoeira. “O Enzo viu que o meu irmão não acordava e tentou vir sozinho, mas acabou se perdendo”, diz. Quando o tio acordou, por volta das 14h, e não encontrou o sobrinho, entrou em desespero e acionou PM e bombeiros.

A suspeita inicial era de que a criança teria entrado no rio e se afogado. Uma força-tarefa foi montada e, enquanto a equipe do Corpo de Bombeiros fazia buscas no rio, viaturas da PM e familiares de Enzo procuravam o menino em uma área de mata e cana-de-açúcar. As buscas avançaram pela madrugada e continuaram pela manhã.

Por volta das 9h, a PM e o tio do garoto conseguiram localizá-lo. Segundo a mãe, ele estava perto do sítio vizinho. “Ele chegou aqui dizendo que estava morrendo de fome e fraco”, relata. “Eu agradeço a Deus. Pedi tanto para que ele estivesse bem. Meu marido desceu o rio de boia atrás dele. Nós achamos que ele tinha se afogado”.

Com a voz embargada, a mulher conta que chegou a perder as esperanças de encontrar o filho vivo. “Ninguém tinha visto nada, ninguém sabia de nada. Foi horrível, nós ficamos desesperados”, conta. “Para falar a verdade, teve um momento em que nós já esperávamos o pior”. A lição que ficou desta história, ela tem na ponta da língua: “Cachoeira nunca mais”, diz.

Rastro

Enzo revelou à mãe que tentou voltar para casa seguindo marcas deixadas pelo animal de estimação. “Ele seguiu por onde tinha a marca da pata do cachorro. Mas aí ele acabou se cansando”, declara. “Ele falou que pegou cana, deitou em cima, e depois se cobriu com a palha de cana. Foi Deus que olhou, porque aqui faz frio”.

Fome e sede

Durante o tempo em que ficou perdido, Enzo garante que não sentiu medo, apenas fome e sede. “Ele falou que viu meu marido passando de moto e gritou, mas ele não escutou”, revela a mãe. O menino contou que foi picado no braço por aranha e tentou esfregar duas pedras para fazer fogueira na hora de dormir. “Eu comprei um filme para ele que tem isso e ele lembrou”, diz. “Ele falou que tentou, não conseguiu e acabou dormindo no escuro mesmo”. Após ser medicado na Santa Casa, o menino retornou para casa.

 

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