A Grã-Bretanha e a França fizeram um apelo nesse domingo (2) a outros países da União Europeia (UE) para ajudá-los a lidar com a crescente crise no norte da França causada por milhares de imigrantes que procuram fazer travessias ilegais e perigosas para a Inglaterra.
O porto francês de Calais tornou-se um foco para o enorme fluxo de imigrantes que entram na Europa para escapar da pobreza e da violência no Oriente Médio e na África.
Tentativas noturnas de grandes grupos de cerca de 5.000 migrantes em Calais para forçar seu caminho através do túnel ferroviário que liga a França à Grã-Bretanha têm provocado a revolta do público e perturbado o fluxo de mercadorias entre os dois países.
“Não há soluções fáceis, e não é para o Reino Unido e a França resolverem esses problemas sozinhos”, disseram a ministra do Interior britânica, Theresa May, e seu colega francês, Bernard Cazeneuve, em carta conjunta publicada no Sunday Telegraph.
“Muitos daqueles em Calais e os que tentam atravessar o canal chegaram até lá através da Itália, da Grécia ou de outros países. É por isso que estamos pressionando outros Estados membros, e toda a UE, para resolver este problema em sua raiz.”
Várias pessoas foram mortas tentando entrar na Grã-Bretanha, onde acreditam que têm melhores perspectivas de nova vida.
O documento foi redigido em conjunto, no momento em que a Grã-Bretanha, onde a crise está aumentando a pressão sobre o primeiro-ministro David Cameron para tomar medidas, detalhou algumas das medidas de segurança suplementares acordados com o presidente francês, François Hollande, na sexta-feira.
Eurotúnel
Nesse domingo, um grupo de cerca de 400 imigrantes tentaram invadir o terminal francês do túnel no Canal da Mancha, forçando seu fechamento por cinco horas.
Há semanas, este túnel se transformou no símbolo de esperança dos imigrantes ilegais, a maioria refugiados do avanço do terrorismo do Estado Islâmico no Oriente Médio e norte da África. Eles esperam cruzar o mar até o Reino Unido, que oferece condições melhores para quem busca asilo.
Um porta-voz do Eurotúnel explicou à agência de notícias France Presse que um grupo destes imigrantes cruzou várias das barreiras de segurança e foram detidos apenas na última pelas forças de segurança. Diante do número crescente de imigrantes no local, o túnel encerrou o funcionamento das 21h30 até às 02h30.
Outro grupo de imigrantes fez um protesto pacífico, sentando em uma das entradas, acompanhados por ativistas da ONG No Border (Sem Fronteiras).
Em uma carta publicada no jornal “Telegraph”, ministros ingleses e franceses, afirmaram que “não há soluções fáceis” e que não cabe somente aos dois países resolver o problema sozinhos.
‘Ninguém os convidou’, diz tcheco
O presidente da República Tcheca, Milos Zeman, se dirigiu com dureza, ontem, aos imigrantes clandestinos que se rebelaram em um campo de refugiados na cidade de Bela pod Bezdezan, no Noroeste do país, nas últimas quinta e sexta-feira. “Ninguém os convidou para vir pra cá. Como já estão aqui, deveriam respeitar as nossas regras, como nós respeitamos as regras quando vamos para outro país”, declarou o chefe de Estado tcheco ao jornal local Blesk, de acordo com a agência de notícias internacional AFP. “Se não gostam, vão embora”, completou Zeman.