Tribuna do Leitor

De novo os Ipês...


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Entra ano, sai ano, e lá está ela. No final do outono ou início do inverno, o JC estampa na primeira página uma bela foto de um ipê roxo florido em algum ponto da cidade, com a mesma legenda equivocada. A deste ano (no dia 30): “Nossos ipês floridos estão adiantados”.

Por mais de uma vez manifestei-me sobre o assunto nesta coluna, mas o erro persiste todo ano, com o “aval” de especialistas que, com certeza, tiveram suas informações distorcidas para reforçar o título chamativo. Os ipês são plantas nativas de nossas matas, exceção do ipê rosa de El Salvador (a espécie predominante na av. Getúlio Vargas), que em geral perdem total ou parcialmente suas folhas no outono-inverno e florescem abundantemente, proporcionando um espetáculo de encher os olhos.

Florescem no outono-inverno, em geral a partir do final de maio, estendendo-se até setembro (às vezes até outubro), dependendo da espécie, que popularmente é identificada pela cor exuberante das suas flores. Em geral, a sequência de florescimento começa com o ipê roxo de bola (maio-junho), seguido do roxo simples e do amarelo, do rosa de El Salvador e, finalmente, do branco.

Portanto, o que ocorreu não foi uma antecipação, como informou a reportagem, mas sim um retardamento do florescimento do ipê roxo, o que, aliás, é perfeitamente normal na natureza, que tem o seu ciclo dependente das condições climáticas, especialmente num país de clima tropical como o nosso, que não tem as estações do ano definidas com a rigidez dos países de clima temperado.

Sei que este alerta não vai impedir que no próximo ano tenhamos a mesma reportagem ressaltando, a partir de maio, o “inacreditável” florescimento dos ipês muito antes da “estação das flores”, talvez até associando-o ao aquecimento global em suas entrelinhas, para deleite dos “ecochatos” de plantão.

Luiz Alberto Coradi – Engenheiro agrônomo 

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