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Hiroshima, 70 anos depois. Esta é a tradução do título, escrito em japonês. Quando chega agosto, desde que me entendo por gente, tento encontrar uma resposta em textos e artigos revisionistas que justifique tamanha imbecilidade praticada contra esta cidade e sua irmã, Nagasaki. Não acho. Vou morrer sem entender esse ato degradante, um crime contra a humanidade - talvez para a eternidade.
E neste ano, a frustração é maior: pesquisa realizada pelo Instituto Pew Research Center mostra que 56% dos entrevistados, norte-americanos, aprovam as bombas atômicas lançadas na manhã de 6 de agosto sobre Hiroshima e em Nagasaki, três dias depois. Inacreditável tamanha insensatez das novas gerações norte-americanas.
O fantasma da justificativa do comando militar dos Estados Unidos de que as bombas eram necessárias para evitar a morte de milhares de soldados americanos, no caso de uma invasão das ilhas japonesas, continua rondando e convencendo a juventude ianque. O poder de persuasão é forte. Este argumento é tão falso como a história dos marcianos que invadiram a Terra, narrada por Orson Welles, que levou pânico aos Estados Unidos em 1938. Acreditam no que ouvem, sem questionamentos.
A verdade é nua e crua: o Japão já estava moribundo e a guerra estava ganha quando decidiram pelo uso das bombas. Era uma questão de tempo. Uma decisão política - de mostrar a todos quem mandaria no mundo a partir daquele dia - que custou a vida de milhares de pessoas inocentes. Não eram soldados. Eram cidadãos comuns - crianças, mulheres, grávidas, idosos, jovens, bebês... Gente como a gente! Evaporaram em segundos!
Os que se salvaram morreram na sequência ou, se sobreviveram, transmitiram geneticamente as feridas para as gerações seguintes. Todo ano fico comovido com a humildade e dignidade com que os japoneses celebram essa catástrofe de sua história contemporânea. O silêncio, o olhar, as expressões faciais, as lembranças daqueles que ainda estão vivos. A humanidade caminha e podem ter certeza de que nada vai sobrepor, na história deste mundo, esta ação militarmente inútil e moralmente condenável.
O autor é jornalista