Super-Homem é o cara. Mas se não fosse o pai, Jor-El, tê-lo colocado na nave antes de Krypton implodir, teria o mesmo fim de seu povo. Viraria migalha. E se, desde que aterrissou por aqui, não tivesse tido toda a gentil disciplina de seu pai terreno, Jonathan, sabe-se lá. Já pensou um super revoltado, sem freios, quebrando tudo por aí?
Já Gothan City inteira (aquela que vive nas trevas dos loucos) deveria agradecer, e muito, a Thomas Wayne. Não deixasse fortuna ao filho, Bruce, e os vilões dominariam o pedaço. O pai foi assassinado, Bruce virou Batman e é mesmo assim: cada cidade tem o louco guardião que merece.
Já Peter não teve dois pais protetores, nem um bom pai rico, mas um tio que valeria por três. Muito bem educou o rapaz, órfão. Tio Ben foi assassinado, uma crueldade. Peter virou Homem-Aranha e, apesar da toda a irreverência aparente, carrega muito da serenidade do velho em si. Os ensinamentos do velho tio grudaram nele. Um ficou famoso: “grandes poderes trazem grandes responsabilidades”.
E o que dizer de um pai que dá um martelo ao filho de oito anos? Foi o que fez Odin com Thor. Talvez Odin ouvisse muito Rita Pavone na época. Aquela que cantava “Datemi un martelo”. A verdade é que o soberano de Asgard queria já ir preparando o filho para assumir seu reino, mas as coisas fugiram um pouco do controle. Thor acabou (adivinhem?) aqui na Terra. Ao seu jeito durão, Odin só queria que o filho crescesse ciente de suas capacidades – e capaz de lutar por seus sonhos. Foi tipo paizão.
E Howard Stark? Maior figura o pai de Tony, que viria a ser o Homem de Ferro. Fundou uma indústria (bélica) e, além de influenciar diretamente o filho, ainda guarda ligações com o Capitão América.
Pais são os heróis dos super-heróis. Exatamente como acontece na vida real. Vez por outra lembramos nós de alguma cena em que eles tiveram papel crucial. Nas pequenas grandes coisas reais, como ajudando a livrar o filho do engasgo de uma bala Soft. O meu fez isso por mim e, ali, já virou herói. Anos mais tarde, meu filho bebê perdeu o fôlego e, por puro instinto, acertei o jeito de fazê-lo voltar. Cá entre nós, até me senti um pouco herói também.
Pais não precisam de superpoderes. Pais só precisam do poder do amor e da capacidade de servir. Servir no sentido de ajudar. E também no sentido de caber no coração dos filhos.
O autor é editor executivo do JC