Regional

Ação envolve de delegado a morador

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

O delegado titular de Dois Córregos, Glaucio Eduardo Stocco, confirma que há dois anos quando chegou para trabalhar na cidade o índice de suicídios era alto. “Me chamou a atenção o número de pessoas que se matavam. A maioria por enforcamento. Eram idosos, adultos e jovens.”

Além dos casos fatais, segundo o delegado, eram registrados inúmeros casos de tentativas de suicídios. “Eram pessoas de ambos os sexos que tentavam pôr fim a vida. Eles ingeriam medicamentos em excesso. Eram socorridos e não morriam. Eu procurei saber o que estava acontecendo. Procuramos fazer um trabalho conjunto.”

O delegado se engajou nas orientações. “Não posso afirmar que, foi só o terço dos homens exclusivamente, mas um trabalho com vários focos. Toda oportunidade que eu tinha para falar tocava no assunto junto à comunidade. O padre falava na igreja sobre os suicídios e a dor que ficava para a família. Divulgamos orientações na rádio comunitária.”

Na maioria dos suicídios eram problemas familiares. “Ou vinculado à depressão, questão passional, amorosas e a desatenção no caso dos jovens. Chamamos a atenção das famílias para com seus entes queridos, especialmente dos pais para com os jovens. Como a cidade é pequena, cerca de 30 mil habitantes, as orientações surtiram efeito. E o efeito foi bastante positivo. Foi uma junção de esforços que minimizaram a situação.”

À época, frisa a autoridade policial, ele foi procurada pelo padre. “Ele toma à frente dos problemas da comunidade e tenta ajudar da melhor forma possível. Ele procurou os órgãos públicos, delegacia, judiciário para ver o que poderia ser feito. Sempre se colocou à disposição para ajudar. Eu fiz um pedido à Delegacia Seccional para levantar os índices de suicídios da região e proporcionalmente Dois Córregos tinha um número alto. Maior do que a média das outras cidades de mesmo porte.”

O som da praça e o consumo de bebidas foram problemas não vividos pelo delegado. “Quando eu cheguei à cidade, eles já tinham resolvido. A praça era antiga e mal iluminada, tinha bares ao redor. Ela foi reformada e toda iluminada. O ambiente não ficou propício para aqueles que bebiam e usavam o som alto. O pessoal erguia a tampa dos carros e ligava o som. Foram feitas operações conjuntas das Polícias Militar e Civil. Tem muitas caixas de som apreendidas aqui.”

Índices Criminais
Segundo o delegado Glaucio Eduardo Stocco, na época o índice de furtos na cidade também era alto. “Começamos a fazer um trabalho direcionado porque anteriormente a cidade não tinha delegado titular. Tínhamos uma média de 50 boletins de furtos por mês. Caiu para 40, 30 e hoje a média é 15 por mês.”

Algumas pessoas foram presas e a conscientização da população também foi focada. “Fizemos prisões e conscientização da população na prevenção. Os moradores eram acostumados a dormir com a janela aberta. Ao deixar os carros abertos com a chave no contato facilitavam a ação dos ladrões. A cidade cresceu e os antigos hábitos se tornaram oportunidades para os marginais.”

A conscientização dos moradores contou com a ajuda dos líderes religiosos. “O padre, o pastor reforçavam as orientações nas missas e cultos. Eles são formadores de opinião. A rádio comunitária também ajudou a divulgar. Fizemos um trabalho junto a outros órgãos como a prefeitura, as comunidades religiosas. O terço dos homens reúne 800 moradores e isso ajudou muito”, relata o delegado.  


Iniciativa é aplaudida por integrantes do grupo e relatam melhora de vida

Uma iniciativa feliz do padre José Carlos Frederice que melhorou a convivência dos moradores de Dois Córregos. É assim que o administrador de empresas Arthur Adami Neto, 63 anos, morador da cidade, defini o terço dos homens. “É uma bênção. Todos mudaram, melhorou a parte religiosa, a convivência entre os moradores. Virou o ar da cidade. Foi muito bom para mim. Ficamos mais perto um dos outros, estamos unidos. Fizemos novos amigos porque temos um ponto comum que é a igreja, o terço. Diminuiu a criminalidade.”

O terço dos homens acrescentou coisas boas para as pessoas, na opinião do dentista Luiz Carlos Napolitano, frequentador do terço dos homens. “A iniciativa foi muito feliz. A frequência é maciça. São 800 homens toda segunda rezando o terço. Tem acontecido coisas maravilhosas. É um ponto muito positivo para a cidade para as pessoas de fé.”

Os homens deixam de frequentar outros lugares para irem à igreja e rezar o terço, isso já é um ponto positivo, avalia o Dércio Júlio Terrabuio, 47 anos, morador de Dois Córregos. Para ele, a comunidade de uma forma em geral tem se tornado mais positiva em função disso. “Antes do terço, a comunidade se reúne na praça. É um momento muito gostoso.”

O morador enfatiza que as famílias estão mais unidas. “Temos recebido depoimentos nesse sentido de frequentadores do terço dos homens. Os pais têm acompanhados os filhos e o diálogo entre eles tem melhorado. Isso é muito importante no momento em que estamos vivendo, quando muitos mal se falam.”

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