| Cássio Veloso |
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| Homem é levado por policiais após libertar o filho de 5 anos de idade |
| Fotos: Lucas Pereira/Repórter na rua |
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| Erasmo Rogério Tieni foi imobilizado por policiais e foi encaminhado à Central de Polícia Judiciária de Sta. Cruz e autuado em flagrante por sequestro e cárcere privado, coação no curso do processo e subtração de incapazes |
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| Erasmo Tieni, portava faca e canivete |
Um menino de 5 anos foi sequestrado nessa segunda-feira (10) pelo próprio pai em Campos Novos Paulista (137 quilômetros de Bauru) e mantido refém em hotel de Santa Cruz do Rio Pardo (90 quilômetros de Bauru). A negociação para libertação da criança mobilizou a Polícia Civil e o Ministério Público (MP) e durou aproximadamente quatro horas. Segundo a polícia, o homem não se conformava com a separação e ameaçava matar o filho se a ex-mulher não retirasse queixas de agressão contra ele.
De acordo com o delegado Antônio José Fernandes Vieira, que responde pelo expediente em Campos Novos Paulista, o menino foi sequestrado pelo pai Erasmo Rogério Tieni, 47 anos, quando chegava de ônibus na escola, por volta das 7h. Os pais da criança se separaram há cerca de quatro meses e, desde então, o homem mora em Maringá, no Paraná.
“Foi registrada a ocorrência e, através de investigação, eu e mais dois investigadores de Ourinhos conseguimos localizá-lo, por volta de 12h30, em um hotel em Santa Cruz do Rio Pardo. Só que, na hora em que ele nos viu, ele se trancou no quarto e, com a faca, ameaçava matar a criança”, conta. “Ele queria que a ex-mulher retirasse ocorrências contra ele”.
O JC apurou que, em razão das frequentes ameaças que vinha sofrendo após o fim do casamento, a ex-mulher de Erasmo registrou boletim de ocorrência contra ele com base na Lei Maria da Penha requerendo a concessão de medida protetiva que o impedia de aproximar-se dela e do filho. O pedido foi deferido pela Justiça, deixando o homem inconformado.
Após mais de uma hora de negociações, a promotora de Justiça de Santa Cruz do Rio Pardo Renata Gonçalves Catalano entrou no caso para tentar convencer Erasmo a libertar o filho e se entregar. “Ele não aceitava nem a aproximação dos policiais. Ele tinha medo de sair preso”, revela. “Eu consegui ficar calma, conversar e ganhar a confiança dele”.
Negociação
A promotora conta que o homem estava bastante violento e não aceitava negociar. “Não tinha negociação porque ele não concordava em entregar nem a faca e nem o filho. Ele queria que a polícia fosse embora para ele sair dali sozinho e levar o filho de volta para a mãe em Campos Novos Paulista, de onde eles vieram”, narra. “Aos poucos, ele foi abrindo a janela e eu via que o menino estava bem”.
Segundo Renata, Erasmo demonstrava descontrole emocional e muita raiva da ex-mulher. “Minha preocupação era com o menino de cinco anos que estava lá dentro. Eu estava ali para proteger a criança”, diz. “Eu perguntei se ele estava com fome, se ele não queria água, peguei uns doces e uma daquelas massinhas de brinquedo em um restaurante e pedi para ele abrir a janela para eu entregar”.
De acordo com a promotora, dois delegados se passaram por advogado e juiz para ajudar na negociação e convenceram o acusado a entregar a faca que ele usava para ameaçar o filho, além de um canivete. Na sequência, ela pediu para pegar a criança no colo e o pai autorizou a sua entrada no quarto.
“Na hora em que ele abriu a porta, o menino pisou para fora do quarto e o policial que estava disfarçado de advogado o segurou, pegou ele no colo e saiu correndo. O outro policial foi lá e imobilizou o pai”, declara. No total, foram cerca de quatro horas de tensas negociações.
Prisão em flagrante
Erasmo Rogério Tieni ainda tentou resistir à prisão, mas foi imobilizado por vários policiais civis. Ele foi encaminhado à Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Santa Cruz do Rio Pardo e, segundo o delegado Antônio José Fernandes Vieira, autuado em flagrante pelos crimes de sequestro e cárcere privado, coação no cursodo processo (em relação à ex-mulher) e subtração de incapazes. Após prestar depoimento, foi recolhido à Cadeia Pública de São Pedro do Turvo. O menino foi entregue para a mãe.
| Lucas Pereira/Repórter na rua |
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| No Gol do acusado, polícia encontrou pá, corda, porrete de madeira, facas, lona e luva cirúrgica |
Polícia Civil pode ter evitado uma tragédia
Com o fim do sequestro, a Polícia Civil vistoriou o carro de Erasmo Rogério Tieni, um Gol, e encontrou objetos como luvas cirúrgicas, pá, facas, uma lona, um pedaço de corda e um porrete de madeira. Segundo o delegado Antônio José Fernandes Vieira, o material pode indicar que o pai tinha a intenção de assassinar o próprio filho. “Ele ameaçava matar a criança a todo momento”, afirma.
A promotora de Justiça Renata Gonçalves Catalano também acredita que uma tragédia maior foi evitada. “A intenção dele, provavelmente, era matar essa criança. Tinha até instrumento de tortura, ele estava muito mal intencionado mesmo”, diz.

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