Esportes

Revelado pelo Noroeste, Marcelinho volta ao clube

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 3 min

Alex Mita
Marcelinho volta ao Noroeste. Ele foi revelado pelo clube no passado

Quatro passagens pelo clube e dez anos de Noroeste no total. Títulos, acessos e grande identificação com o clube que o revelou e da cidade onde nasceu. O polivalente Marcelinho, que atua como zagueiro, volante e lateral, se prepara para escrever mais uma página da história que constrói desde 2002 no Complexo Damião Garcia.

Contratado para aumentar a experiência e a qualidade do time na segunda fase Série B do Campeonato Paulista, o jogador treina com o elenco há duas semanas e se prepara para reestrear com a camisa vermelha que o lançou para o futebol, após deixar o clube em 2012, ano de sua última partida pelo Norusca. Entre esta saída e o recente retorno, atuou por vários clubes e chegou a cogitar “pendurar as chuteiras”.

Depois de sair do Noroeste em 2012, Marcelinho passou por Oeste de Itápolis, Ituano, URT-MG. Após jogar pelo time mineiro, o atleta decidiu parar com o futebol. O motivo: desilusão com o cenário da modalidade. “A verdade é que o futebol brasileiro está muito bagunçado, está cheio de empresário e tem muita coisa suja. Você vai amadurecendo e descobrindo estas coisas. E percebe que não é só o talento que conta para estar em uma boa equipe. É a ajuda de algum empresário, de algum patrocinador, gente de clube. Reflete até na seleção brasileira. Pode ver que hoje não temos muita opção de convocação”, diagnostica.

Marcelinho entende que o fator financeiro prevalece no futebol brasileiro e acaba ofuscando e prejudicando a formação dos atletas, o que reflete na qualidade. “Nossa base está muito ruim. Tem muitos esquemas, o pessoal está pensando muito em dinheiro e esquecendo de cuidar dos meninos que vêm da base, para ter uma formação boa. O futebol, politicamente, está um lixo”, define. “Não generalizo todos os clubes. Mas a maioria hoje está assim. E o futebol acaba perdendo o brilho”, avalia. Foram seis meses afastado dos gramados, mas a paixão pelo futebol acabou falando mais alto que o desgosto. Assim, Marcelinho retomou a carreira no Novorizontino, clube que antecedeu seu retorno ao Noroeste.

Identificação

O bauruense Marcelinho começou profissionalmente com 16 anos, em 2002, no próprio Noroeste, clube que o revelou para o futebol. Mas a relação com o clube é bem mais antiga. “Meu pai sempre foi noroestino fanático e já falava do Noroeste antes de eu gostar de jogar bola”,  revela o jogador, que se lembra de ver fotos pelas mãos do pai de um Norusca forte, com quadro associativo participativo, com o parque aquático em pleno funcionamento. A relação de admiração passou a ser profissional na adolescência. “Em 2002 comecei a trabalhar com a camisa oficial do clube”, comenta.

O período no qual chegou ao Alfredão coincide com o início da gestão Damião Garcia. Marcelinho viveu boa parte da era Damião no clube e foi campeão ainda com 19 anos da Copa Federação, em 2015. “Fiz o gol da final ainda. Era um menino. Bons tempos”, brinca.

As lembranças não param por aí. “Quando cheguei ao clube, existia um campo de terra onde é o CT hoje. Tinha piscinas e quadras de futsal que estavam abandonadas e eram um matagal. Foi uma transformação muito grande, vi o Noroeste lá em baixo, quase fechando. E o seo Damião reformulou tudo, mudou a cara do clube. A gente conseguiu os acessos, títulos, foi campeão do Interior, disputou a Série C do Brasileiro, Copa do Brasil... O Noroeste é um time com uma tradição muito grande”, elogia.

Sonho de reerguer

Testemunha e personagem do período de auge na década passada, Marcelinho volta ao clube em momento diferente, onde o clube chegou à última divisão profissional do Estado e busca se reestruturar em outra realidade financeira para se reerguer. “Estamos tentando resgatar o Noroeste para ele voltar a ser visto.

O presidente Emílio (Brumati) me pareceu pessoa muito transparente. Não está faltando nada e é uma crescente. Vai demorar um pouco? Vai. Mas está todo mundo junto para fazer o Noroeste ser visto. Eu fico feliz, porque sou da cidade.”

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