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A quantidade de pessoas negativadas no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) de Bauru cresceu impressionantes 94,7% em julho deste ano, em comparação ao mesmo mês de 2014. Segundo dados da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), 3.147 consumidores do comércio ficaram com o nome sujo no mês passado, ante os 1.616 incluídos no cadastro do SPC em julho do ano anterior.
O aumento da inflação com a consequente elevação do custo de vida e a queda no nível de emprego são apontados como os principais motivos para o resultado, que acende um sinal de alerta para o setor.
Com as novas inclusões no cadastro, Bauru totalizou, em julho, 36.357 pessoas inadimplentes no comércio, o equivalente a 10% da população da cidade. Juntas, elas acumulam uma dívida de R$ 35,9 milhões, de acordo com a CDL.
Vale destacar, contudo, que o número de pessoas que limparam o nome também cresceu em julho, porém, em um percentual bem menor. No mês passado, foram 1.358 consumidores excluídos do cadastro e, em julho de 2014, 1.018, um aumento de 33,4%.
Para o economista Reinaldo Cafeo, a alta reflete a combinação entre perda de renda e de poder de compra enfrentada pelo brasileiro em tempos de crise. “A perda de renda resulta do desemprego, que se agravou neste ano, e a perda de poder de compra, do aumento da inflação”, destaca.
Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho reforçam esta tese. Somente entre abril e junho deste ano, 1.122 postos de trabalho foram extintos em Bauru.
E, com o aumento dos preços de diversos produtos, como os alimentícios, e com o encarecimento das contas de energia elétrica e água, muitos consumidores se viram com o orçamento apertado, sendo forçados a estabelecer prioridades para o pagamento das despesas. “Uma pessoa que comprou um celular de R$ 700,00 em dezembro, em doze prestações, pagou as parcelas até agora. Mas, com o aumento de custos, o dinheiro não alcança o carnê e é neste momento em que ele se torna inadimplente”, considera.
Cafeo destaca que, de maneira geral, os consumidores não estão contraindo novas dívidas neste ano e que o aumento de pessoas negativadas resulta, de fato, de compras feitas a prazo, em mais de três prestações. “E mesmo quem não perde o emprego sofre, porque ele já não compra mais o que comprava com a renda dele no ano passado”, observa.
Mudança
Assessor de imprensa e advogado da CDL, Elion Pontechelle Júnior também atribui o aumento de pessoas inscritas no SPC à mudança de uma lei estadual, quando diversas empresas de banco de dados optaram por suspender a inscrição de maus pagadores nos cadastros. A nova norma, que começou a vigorar em janeiro, tornou obrigatório o envio de carta com confirmação de recebimento (AR) aos inadimplentes, antes de serem negativados.
Como o procedimento encareceu o registro, os serviços de proteção ao crédito ingressaram com uma ação direta de inconstitucionalidade. Em março, por meio de liminar, a alteração foi suspensa e, agora, o caso aguarda julgamento no Tribunal de Justiça (TJ).
“Entre janeiro e março, a ordem foi para que nenhum consumidor fosse cadastrado. E, mesmo já tendo transcorrido alguns meses desde então, é possível que parte destes consumidores só tenha sido inscrita em julho. Até a notícia chegar a todos os serviços do Interior do Estado, demora”, avalia.
‘Agora, não dá para pagar dívida’
| Fotos: Alex Mita |
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| Tiago de Lima não sabe quando conseguirá pagar a dívida de pouco mais de R$ 2,5 mil |
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| Lucilene de Oliveira até cancelou o cartão de crédito para não se endividar mais |
Há cerca de dois anos com o nome negativado no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) de Bauru, Tiago de Lima, 22 anos, procurou o órgão, na última sexta, para saber o valor exato da sua dívida: R$ 2.571,00. Mas o jovem, que trabalha como entregador em uma distribuidora de bebidas, nem tentou negociar o pagamento do débito.
“Agora, não dá. Está tudo muito caro e não sobra dinheiro para nada. Só dá para pagar as contas do mês, cortando os supérfluos, para não aumentar a dívida”, analisa ele, que reconhece ter “exagerado” nos gastos no passado e perdido o controle sobre a fatura do cartão de crédito.
Já a doméstica Lucilene Alves de Oliveira, 40 anos, diz ter “aprendido a lição”. Inscrita no cadastro do SPC em 2014, ela quitou o débito em seis prestações, mas voltou a ficar inadimplente em julho, em razão do atraso no pagamento da fatura do cartão de crédito.
“Mas também já paguei e achei melhor cancelar o cartão. Não quero mais problemas”, afirma, lamentando apenas o fato de ainda não ter conseguido excluir seu nome do cadastro de devedores. “O banco e o SPC falam que é um problema no sistema, que eu espero que resolvam logo”, completa.


