Bairros

Protesto: terreno sujo tem até "promoção" no Jd. Higienópolis

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Éder Azevedo
Antônia Cardoso dos Santos, que trabalha em uma casa próxima ao terreno: “Eu já flagrei outras situações de pessoas entrando na área para praticar sexo até durante a manhã ou usar drogas”

Em um terreno baldio do Jardim Higienópolis, em Bauru, uma placa deixa evidente a indignação dos moradores: “Motel. Grátis: 1 dengue”. Estas palavras irônicas foram fixadas entre as ruas Raposo Tavares e Manoel Bento Cruz. Embora a área esteja cercada por tapumes, uma entrada escancarada entre as duas vias “abre as portas” para que o terreno sujo abrigue uma espécie de “motel clandestino”, além de criadouros em potencial do mosquito transmissor da dengue.

Espalhadas pelas imediações do local, diversas embalagens abertas de preservativos reforçam a denúncia dos moradores. Empregada doméstica de uma casa nas imediações, Antônia Cardoso dos Santos, 50 anos, que trabalha há 13 na residência próxima ao terreno, conta que já flagrou a cena de um homem chamando uma garota, que aparentava ser menor de idade, para praticar sexo dentro da área. “O pior de tudo é que foi de manhã, por volta das 10h30”, narra.

Antônia diz que só não chamou a polícia porque a patroa estava viajando e não quis causar transtornos. “Eu já flagrei outras situações de pessoas entrando no terreno para praticar sexo ou usar drogas, principalmente, nos finais de tarde”, revela. Dentro da área, o JC encontrou diversas de garrafas de bebidas vazias e, até mesmo, uma peça de roupa íntima abandonada. Para tentar amenizar a situação, embora seja crime, alguém ainda colocou fogo no lixo.

Dengue

A doméstica argumenta ainda que chegou a contrair dengue recentemente, mas não sabe se o foco da doença está na região onde reside, no Jardim Nova Esperança, ou no terreno sujo e com mato alto do Jardim Higienópolis. “Quando chove, uma poça d’água se forma dentro da área”, acrescenta. Outra moradora que denuncia a existência de criadouros do mosquito transmissor da dengue dentro do local é a professora Luiza Toti, 56 anos.

Ela mora na rua Raposo Tavares e, quando sai para trabalhar, encontra preservativos e sujeira espalhados não só pelas proximidades do terreno, mas em outras ruas da região. “Nós tomamos tanto cuidado para prevenir a dengue, mas o meu vizinho acabou contraindo a doença e atribuo esta condição aos terrenos abandonados, que abrigam uma grande quantidade de lixo”, reclama.

Questionada sobre o assunto, a Secretaria Municipal de Saúde, através da Divisão de Vigilância Ambiental, informa que o terreno em questão já havia sido notificado e o proprietário está dentro do prazo para cumprir as determinações. Caso contrário, ele ficará sujeito às penalidades, que incluem multas entre R$ 121,11 e R$ 4.602,00, dependendo da gravidade da situação.

Após contato da reportagem, o tapume foi colado na tarde dessa terça-feira (11).

Consertou

O terreno está à venda por meio da Imobiliária Moraes. Ao saber do problema, o proprietário da imobiliária, Daniel Moraes, disse que contataria o dono do espaço, mas, de antemão, prontificou-se a enviar uma equipe para realizar a limpeza e consertar os tapumes, afim de voltar a impedir o acesso. O conserto ocorreu no início da noite dessa terça.

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