Em 13 de agosto de 1951, Getúlio Vargas sancionou a Lei 144, que criou a profissão de economista, por isso nesta data comemora-se seu dia. Neste dia poderíamos conceituar esta profissão, indicando que o economista busca compreender como a sociedade usa os recursos materiais e humanos, visando produzir e distribuir bens e serviços, mas quero ir além.
Afinal, qual o papel do economista na sociedade? Confesso que é uma profissão que expõe muito. Uma das habilidades trabalhadas no curso de economia refere-se ao desenvolvimento da capacidade de abstração, auxiliando na interpretação e verbalização dos fatos econômicos, os quais influenciam a sociedade como um todo. Isso nem sempre é compreendido por todos.
Evidentemente que há economistas e economistas, como em qualquer profissão. Mas voltando a pergunta: qual o papel do economista na sociedade? Avalio que a resposta está no fato de a economia ser uma ciência social. Isso mesmo. Apesar do uso intensivo da matemática e estatística, a economia se situa no campo das ciências sociais e com tal tem por objetivo atingir a justiça social. E é neste particular que avalio se o verdadeiro papel deste profissional. Afinal, de que vale desenvolver a capacidade de traçar cenários a partir da leitura racional do ambiente econômico se não for para auxiliar a sociedade na busca de melhorias para sua vida?
E isso não é tarefa somente para os economistas ligados ao governo. No cotidiano há maneiras de auxiliar na melhoria da condição de vida das pessoas. Por exemplo: interpretando o “economês”, o que eu chamo de “descomplicar a economia”. Explicar e conseguir ser entendido de, por exemplo, qual é o papel dos juros na economia, os momentos que devemos tirar o pé do consumo, ou evitar o uso excessivo do cheque especial ou cartão de crédito, isso é contribuir com seu meio. Conhecer os financiamentos imobiliários e a luz do ambiente econômico, indicar o melhor caminho reforça esta ajuda. Até mesmo esclarecer as modalidades para poupar melhor o dinheiro confirma esta direção.
No ambiente das empresas, mais do que auxiliar o empresário em suas estratégias, o economista apresenta caminhos para otimizar a produção, com ganhos em produtividade, o que, de alguma maneira, está auxiliando na economia na utilização dos escassos recursos. O economista também transita nas questões do meio ambiente, analisando juntamente com outros profissionais os impactos do uso do solo e como a finalidade econômica pode se harmonizar com qualidade de vida.
Observem também a responsabilidade dos economistas ligados ao governo. Uma elevação na taxa de juros derruba empregos. Um erro no controle dos gastos públicos leva o país à recessão. Um orçamento mal elaborado deixa de canalizar recursos para os mais carentes. Tributos arrecadados e sem repartição com olhar na justiça social servem somente para o jogo político sujo. É evidente que tudo isso não é tarefa somente dos economistas, mas sem dúvida seu campo de influência é enorme e desconhecer esta realidade é um reducionismo sem propósito. Por tudo isso é que há o que comemorar em seu dia, diria mais, há o que se orgulhar. É uma profissão que não depende de modismo, de ser ou não a bola da vez, é uma profissão, como todas as outras, que exige dedicação, leitura e o uso do racional, mas com boa dose de emocional.
Externo meu apreço a todos os colegas que são capazes de entender a dimensão desta profissão e envio bons fluídos para que sejamos capazes de rapidamente auxiliar o país a retomar o crescimento econômico e em seguida fazer a grande revolução da qualidade de vida, que vem com o pleno desenvolvimento econômico. Economistas, parabéns pelo seu dia!
O autor é economista e articulista do JC