| Fotos: Polícia Militar/Divulgação |
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| Em vistoria na chácara informada pelo suspeito, a PM localizou a mulher, de 29 anos, amarrada numa cadeira e com sinais de agressão |
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| Mulher confessou ter uma dívida de R$ 7 mil junto ao tráfico |
Uma mulher de 29 anos, cuja identidade será preservada por segurança, foi sequestrada, agredida e levada para uma chácara, localizada no final da estrada de Val de Palmas, na noite da última quinta-feira (13), em Bauru. Ela confessou que devia cerca de R$ 7 mil para o tráfico de drogas e, por conta disso, a Polícia Civil acredita que, se a Polícia Militar (PM) não tivesse chegado a tempo, ela seria executada. Um adolescente e um homem de 32 anos foram presos.
Conforme informações do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), a situação foi descoberta após uma abordagem a um jovem que conduzia um Ford/Escort com marcas de sangue próximas ao freio de mão. O condutor, posteriormente identificado como um adolescente de 17 anos, cuja identidade será preservada em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), confessou que levou a mulher até uma chácara.
Todavia, a suspeita de sequestro já existia, porque a polícia havia recebido uma denúncia anônima, que dava conta de que, na região do Parque Jaraguá, uma mulher teria sido colocada à força dentro de um carro preto. Na chácara informada pelo suspeito, os policiais localizaram a vítima, de 29 anos, amarrada junto a uma cadeira e com sinais visíveis de agressões.
Neste momento, a mulher teria confessado que o motivo do sequestro era uma dívida de aproximadamente R$ 7 mil junto ao tráfico de drogas. Ela só seria liberada caso a família pagasse este valor aos traficantes. Depois de ser salva pelos policiais militares, a a vítima foi encaminhada ao Pronto-Socorro Central (PSC), onde recebeu atendimento médico e, em seguida, foi liberada.
Por pouco
O titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Kleber Granja, enalteceu o trabalho de patrulhamento da PM, que impediu um ato de tortura seguido de uma possível execução. Ele reforça que tudo leva a crer que o caso está relacionado ao tráfico de drogas, seja a vítima uma usuária ou, até mesmo, uma microtraficante. Inclusive, na cena do crime, foram apreendidos dez pinos de cocaína.
“Dali, a vítima seria torturada e, posteriormente, a possibilidade de que ela fosse executada é alta. Portanto, a PM evitou mais uma tragédia”, acrescenta. Ao fazer uma analogia com a frieza do crime, Granja informa que a polícia só chegou na “ponta do iceberg”, porque, por enquanto, só apreendeu o adolescente que transportou a vítima até o cativeiro e prendeu o caseiro do local, Pablo Henrique Bento, 32 anos, que possui passagem por roubo.
Para o delegado, os dois são apenas interlocutores da ação dos principais criminosos. “Agora, nós vamos mergulhar nesta água gelada, onde está o iceberg, para ver o tamanho dele, ou seja, a investigação só está começando”, argumenta Granja. Até o momento, a Polícia Civil trabalha com as hipóteses de sequestro, cárcere privado, associação criminosa e tráfico de drogas.
No cativeiro, a polícia também apreendeu um HT Rádio Frequência, que passará por perícia técnica para verificar se o equipamento funcionava para acompanhar o trabalho da PM. “Se constatado que o HT era utilizado com esta finalidade, há um crime federal que versa sobre a quebra de sigilo das comunicações digitais da polícia”, explica. Em relação à vítima, a polícia está tomando todas as cautelas básicas para mantê-la em segurança”.
Perfil
Na sexta-feira (14), o delegado Kleber Granja destacou que ao menos 70% do total de assassinatos que ocorreram desde o início deste ano, em Bauru, tiveram relação direta com o comércio ou o consumo de entorpecentes. Ele ressaltou ainda que a cidade possui uma espécie de bolsão de usuários de crack, que não têm perspectiva alguma de tratamento e, para sustentar o vício, ingressam na criminalidade.
Aproximação da comunidade com a polícia garante bons resultados
Manter uma relação próxima à comunidade ajuda - e muito - a PM. Esta é a opinião do comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPMI-4), o tenente-coronel Flávio Jun Kitazume. “Nós sabemos que, no meio do tráfico, a cobrança de dívidas é tão severa que, muitas vezes, os devedores têm de pagar com as próprias vidas. Por conta disso, existe a presença efetiva da polícia nas ruas, principalmente, nas regiões mais críticas”, justifica.
Com uma maior aproximação junto à comunidade, os policiais militares têm conhecimento dos problemas que cada cidadão enfrenta. No caso do sequestro da mulher de 29 anos, Kitazume reforça que a denúncia só chegou rapidamente à PM graças ao policiamento mais próximo. “Pelo fato de os policiais conhecerem a área, conseguiram trabalhar rapidamente a denúncia e chegar até um local bastante distante do Centro”, finaliza.

