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Justiça dá prazo para Ajax e trabalhadores negociarem

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

João Rosan
Márcia e colegas afirmam que rejeição do plano de recuperação judicial irá prejudicar a categoria

O Sindicato dos Metalúrgicos de Bauru e Região informou que o juiz João Augusto Garcia, da 5.ª Vara Cível de Bauru, decidiu aguardar até a próxima semana para que a fábrica de baterias Ajax e seus funcionários voltem a negociar uma nova proposta para o pagamento de débitos trabalhistas. O pedido foi feito pela própria entidade sindical, já que havia a expectativa de que o magistrado decidisse, já no início da semana, sobre a possibilidade de decretar a falência da empresa.

Se isto ocorresse, os 1.100 funcionários da Ajax ficariam sem perspectivas de receber, em curto prazo, os salários atrasados desde dezembro do ano passado, bem como benefícios pendentes, como férias, cestas básicas e FGTS. Na última quarta-feira, a perspectiva de receber os vencimentos foi, mais uma vez, adiada.

A maioria dos empregados que compareceram à assembleia de credores decidiu rejeitar o plano de recuperação judicial apresentado pela empresa, que garantiria um aporte de R$ 10 milhões em até seis meses para saldar débitos trabalhistas. Posteriormente, contudo, um grupo de trabalhadores mostrou-se insatisfeito com a decisão, o que contribuiu para que o sindicato continuasse em tratativas com representantes da fábrica de baterias para tentar viabilizar uma nova proposta.

Segundo a ex-funcionária Márcia Helena Marineli, uma das lideranças do grupo descontente, o sindicato teria agido de forma precipitada e inflexível ao rejeitar a oferta, atitude que não refletiu a vontade de todos os trabalhadores. “A empresa propôs uma alternativa que não era a ideal. Mas a opção pela falência deveria ser a última, já que os trabalhadores teriam de esperar anos para conseguir receber alguma coisa. E se receber. Muitos não podem esperar tudo isso”, considera.

Abaixo-assinado

O grupo argumenta que apenas cerca de 100 trabalhadores compareceram à assembleia de credores e, por este motivo, decidiu elaborar um abaixo-assinado para tentar sensibilizar o juiz da 5ª Vara Cível de Bauru. “Os funcionários tiveram dez minutos para ouvir a proposta e votar. Muita gente nem entendeu o que estava em pauta”, justifica Márcia.

Presidente do sindicato, Cândido Augusto Gonçalves Rocha destaca que todos os trabalhadores foram convidados a acompanhar a assembleia, mas a grande maioria acabou não comparecendo ao encontro. “A decisão não foi tomada pelo sindicato, mas sim de acordo com a vontade da maioria que estava no local, por meio de votação, da forma mais democrática possível e depois do esclarecimento de todas as dúvidas”, salienta.

Ainda de acordo com Rocha, a expectativa é de que a Ajax apresente uma contraproposta nos primeiros dias da próxima semana, que será analisada e apresentada ao juiz João Augusto Garcia.

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