Tribuna do Leitor

Reconsidere seus motivos, reconsidere seu domingo

Pedro Vinicius Rossi - sociólogo, mestrando do curso de Ciências Sociais
| Tempo de leitura: 2 min

O sentido da palavra lulismo, empregado de forma tão indiscriminada, acomete à contramão das mal logradas palavras de ordem – entre outros arrepios inconformados da classe média que se ouve pelas ruas. Ao retomar o desenvolvimento do termo, tencionou-se elaborar uma hipótese orbitante que serviria muito bem como subtítulo de um livro do cientista político André Singer. Tal seria esta denominação, portanto, detentora dos sentidos mais amenos de uma reforma gradual e um pacto conservador, haja vistas à Carta aos Brasileiros.

    

A aproximação do governo que se estendeu como parte da ordem estabelecida, e outra contraparte à direita política, se estabilizou pelos seus anos correntes do primeiro mandato como forma de ornamentar um conservadorismo imbricado na sociedade brasileira. Seja na sua forma histórica ou contextualmente contemporânea. Fato decorrente, seja pelo viés das políticas sociais ou econômicas desenvolvidas naqueles anos de governo, arremeteu-se a perda do apoio da classe média, que teve seu peso social relativizado pela inclusão de um maior número de consumidores.

       

Aquele aspecto de conciliação política se perdeu com ascensão da classe mais desfavorecida da sociedade brasileira, isso aos olhos – e nos sentimentos – da desvalorizada classe média. Mas consolidou a situação e aplicação das ações das políticas sociais desenvolvidas e bradadas aos berros ridiculamente críticos de assistencialismo. Muito peca quem já se esqueceu que, nas eleições de 2010, o candidato José Serra (PSDB) divulgou um plano que aumentava a abrangência do programa Bolsa Família. Não pagamos para ver (sic!).

       

Aquela pequena burguesia tradicional, que se oporia com o vigor de uma quase demofobia, hoje ganha contornos menos rebuscados e um tanto mais popularistas. É a nova moda que se alimenta no bater das panelas dos bairros mais ricos das capitais e regiões metropolitanas do país, e que se espalha freneticamente por meios midiáticos como uma situação generalizada de descontentamento, e outras pataquadas mais à que se fazer acreditar. Articulada, ou convencida deste feito, uma certa massa comezinha aderiu tal crise na sociedade brasileira como algo ridiculamente verdadeiro.


Sinceramente, de tudo o que foi alcançado e em tudo o que foi contestado e potencialmente confundido ou desvalorizado por tantos alguéns, cito que: nos últimos tempos, começaram a dar nova utilidade à panela, mas nós preferimos continuar a encher as panelas. Domingo, eu não vou.

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