| João Rosan |
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| O médico com a família: o filho Helder e a nora Priscila, a esposa Luciana e a filha Flávia |
| Arquivo Pessoal/Divulgação |
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| Viagem é outra paixão: em Viena, com a esposa Luciana |
Ele está no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC) da USP, o popular Centrinho, desde que chegou a Bauru para ficar, há 28 anos. O otorrinolaringologista e atual chefe da Área Técnica de Otorrinolaringologia do Centrinho, Helder Fernandes de Aguiar, abriu as portas da sua casa para mostrar suas paixões e curiosidades aos leitores do JC.
Uma dessas curiosidades, ele mostrou com um sorriso de orgulho: uma coleção de camisas de futebol, cuidadosamente organizadas. Muitas delas são relíquias e, para o corintiano e noroestino, não têm preço. “Eu ganho muitas de amigos e pacientes, compro outras quando viajo e peço para os jogadores, com autógrafo, claro”, comenta. A primeira da coleção é uma camisa do Corinthians, usada por Rivelino.
Membro da Academia Americana de Otorrinolaringologia, anualmente ele se “recicla” em congressos internacionais. Viagens também são amores, assim como a família. Confira, abaixo.
Jornal da Cidade - Quando, na sua vida, você se viu médico?
Helder Fernandes de Aguiar - Quando criança, eu viajava para São Paulo, passava em frente à universidade de Botucatu e dizia que eu iria estudar lá. Via a igrejinha de Rubião Júnior e a Faculdade de Medicina da Unesp e desejava isso. Consegui! Meu pai era de origem humilde. Quando eu nasci, ele tinha apenas o quarto ano do grupo escolar. Ele entrou para o banco fazendo café e serviços gerais, foi crescendo até se tornar gerente. Sempre foi um homem muito inteligente e fez carreira. Já gerente, ele estudou direito na Instituição Toledo de Ensino (ITE). Fez faculdade quando eu também fazia. Tenho extremo orgulho dele.
JC - Por que adotou Bauru como a sua cidade?
Helder - Minha família é de Piratininga, então sempre estive ligado a Bauru. Morei aqui de 1964 a 1970 e de 1976 a 1977, quando fui estudar em Botucatu. Fiz medicina de 1978 a 1986, incluindo a residência e voltei para Bauru. Comecei a trabalhar em janeiro de 1987, aqui, e não sai mais da cidade. Minha carreira teve início no consultório do Domingos Lamônica, que me convidou para trabalhar com ele. No mesmo ano, em julho, entrei no Centrinho, onde estou até hoje. Atualmente sou chefe da Área Técnica de Otorrinolaringologia. Também tenho a minha clínica particular.
JC - O que marcou a sua infância?
Helder - Meu pai era bancário. Nasci em Garça, depois fomos para São Carlos, onde uma das minhas irmãs nasceu. Depois fomos para Ortigueira, no Paraná, voltamos para Piratininga, depois Bauru, Londrina, Piratininga e Bauru. Com todas essas mudanças, o que me marcou foi a união entre meus pais e os irmãos, eu tenho duas. Além disso, outra coisa que marcou a minha infância foi o esporte.
JC - De onde nasceu a sua paixão pelo esporte?
Helder - Eu sempre pratiquei esportes. Joguei basquete pelo Luso, vôlei em Piratininga, futebol no Noroeste, lutei judô por Bauru... sempre estive dentro do esporte. Meu pai foi vice-presidente do Noroeste e eu o acompanhava aos jogos. Passei por todos os campos que você pode imaginar. Quando entrei no cursinho para o vestibular de medicina, foquei nos estudos e passei a ganhar peso. Passei de atleta a cartola (risos). Fui o primeiro presidente eleito da Atlética da Faculdade de Medicina de Botucatu. Fui médico do Noroeste e do Bauru Basquete por quatro anos, em cada equipe. A paixão pelo esporte é tamanha, que tenho uma coleção de camisas de futebol. Hoje são cerca de 400 delas, entre pequenos e grandes times do Brasil e do mundo. Algumas delas são relíquias que não têm preço.
JC - A sua experiência em congressos internacionais é grande, sendo assim, o contato com profissionais da medicina de diversos países, também. Como o senhor analisa a nossa medicina?
Helder - Eu sou membro da Academia Americana de Otorrinolaringologia e, desde 1997, frequento os congressos da academia quase que anualmente. A nossa medicina é de excelência em todas as áreas, só perdemos em tecnologia. Alguns equipamentos que por aqui só encontramos em hospitais das grandes capitais, nos Estados Unidos há em praticamente todas as cidades.
JC - São 28 anos de medicina no Centrinho. Houve um atendimento marcante?
Helder - O atendimento que fazemos no Centrinho, por si só, é um atendimento que nos toca. Hoje eu vejo pacientes adultos que eu cuidei quando eram crianças. Ver o sorriso deles, a gratidão e ouvir um obrigado, não tem preço. Não há dinheiro que pague a oportunidade de ver um paciente sorrir. Ver uma criança que não ouvia nada e hoje ouve e entende uma música é muito gratificante. O que eu vejo de mais interessante no Centrinho é que o aspecto multifuncional realmente funciona. É a fonoaudióloga ajudando o cirurgião plástico, que ajuda o otorrino, que ajuda o pediatra, que ajuda a enfermeira, que ajuda a fisioterapia... é uma equipe que realmente trabalha e funciona como uma equipe. O doutor Gastão (José Alberto de Souza Freitas) fez um brilhante trabalho, que está sendo seguido por todos os diretores.
JC - Quem é o doutor Helder?
Helder - Antes de mais nada, sou um cara bem transparente: o que penso, todo mundo sabe. Procuro agir sempre com correção. Erro muito, mas sempre tentando acertar. Dedico minha vida à profissão e à família. Comigo, gasto com viagens. Acho que este é o dinheiro mais bem gasto.
JC - Viagens estariam em uma receita feita pelo senhor?
Helder - Certamente (risos). As viagens me surpreendem. O Rio de Janeiro é a cidade mais bonita que eu já conheci, em termos de beleza natural. As cidades americanas dão show de modernidade. Já as cidades mais encantadoras e surpreendentes são as de Budapeste e Praga, por todas as dificuldades que essas localidades do Leste Europeu passaram. Budapeste é inesquecível. Outra viagem inesquecível, mas negativamente, foi quando eu fui para a Alemanha e conheci o primeiro campo de concentração nazista criado. Lá, o silêncio tem som. Eu sai do memorial que tem lá e levei umas duas horas, no mínimo, para digerir o que vi. Um filme de terror passou pela minha cabeça.
JC - O senhor é um homem religioso? Vejo uma imagem de Nossa Senhora Aparecida na parede...
Helder - Foi um presente de um paciente. Há cerca de 30 anos, todo ano eu pego o carro e vou até a cidade de Aparecida participar de uma missa. E, todo sábado, eu destino uma hora do meu dia para as missas da Paróquia São Cristóvão ou São Judas Tadeu, onde meus pais foram ministros. Minha esposa já sabe que, em todas as viagens que eu faço, eu não deixo de visitar o estádio da cidade e as igrejas (risos).
Perfil
Nome: Helder Fernandes de Aguiar
Idade: 56 anos
Local de Nascimento: Garça
Esposa: Luciana Bodini Ferreira de Aguiar
Filhos: Helder Filho e Flávia
Livro de cabeceira: Bíblia
Hobby: Ver esportes, todas as modalidades
Filme preferido: “O Chacal”, por sua mensagem: “só consegue pensar como bandido quem é bandido”
Estilo musical predileto: Depende do lugar, da companhia e do que estou fazendo
Time de futebol: Corinthians por nascimento e Noroeste por adoção
Para quem dá nota 10: Para minha esposa
Para quem dá nota 0: Para a mentira, o pior do ser humano
E-mail: helderfa@terra.com.br

