Imigrantes desesperados para deixar a ilha grega de Kos lutaram uns com os outros nesse sábado (15), enquanto perto dali um barco fretado para abrigar refugiados está vazio 24 horas depois de chegar ao local.
Do lado de fora da principal delegacia de polícia da ilha, cerca de 50 imigrantes do Afeganistão, Paquistão e Irã atiravam pedras e trocavam insultos em meio a ânimos exaltados e um sol intenso do verão europeu. A polícia estava por perto, mas não interveio.
Os imigrantes têm poucas chances de entrar a bordo do navio, o Eleftherios Venizelos, já que a prioridade é dos sírios, que são tratados como refugiados porque estão fugindo de uma guerra civil e, portanto, possuem maior direito de acordo com as leis internacionais de imigração.
Todos eles cruzaram o mar a partir da Turquia em pequenas embarcações, buscando uma vida melhor na Europa e deixando para trás os conflitos e pobreza. A algumas centenas de metros da delegacia, o navio branco da Anek Lines permanecia no cais apenas com a tripulação a bordo, um dia após atracar. Autoridades gregas debatem como os sírios devem ser levados a bordo.
Quase 250 mil imigrantes cruzaram neste ano o Mar Mediterrâneo em direção à Europa, de acordo com a Organização Internacional de Migração. Cerca de metade chegou às ilhas gregas. Esses números aumentaram no verão, quando o tempo mais quente deixa a travessia menos arriscada.
Há semanas a Grécia presencia um surto no número de imigrantes e refugiados, que fogem de zonas de guerra como a Síria, tentando entrar na União Europeia por países como a Turquia. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados informou que 124 mil pessoas desembarcaram em ilhas gregas neste ano.
O prefeito da ilha de Kos, Yorgos Kyritsis, disse que serviços locais, incluindo a polícia e guarda costeira não conseguem dar conta do fluxo. “A situação na ilha está fora de controle.”