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| Em Brasília e em São Paulo, faixa com a palavra "impeachment" foi estendida pelos manifestantes |
O País registrou neste domingo protestos contra o governo Dilma no Distrito Federal e em pelo menos 25 Estados, como Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul.
À tarde, os principais protestos ocorreram em São Paulo, na Avenida Paulista, em João Pessoa, onde manifestantes iniciaram a concentração da Marcha contra Corrupção, e em Porto Alegre, onde as pessoas se reuniram no Parque Moinhos de Vento para ato contra o governo de Dilma.
Em Brasília, a manifestação iniciada às 9h30 começou a se esvaziar por volta das 13 horas. A Polícia Militar estimou que 25 mil pessoas teriam comparecido, enquanto o movimento Vem Pra Rua disse que 80 mil manifestantes estiveram na Esplanada dos Ministérios.
Em Belém, o primeiro protesto realizado no Brasil neste domingo teve início às 8 horas e reuniu 4 mil pessoas, de acordo com a Polícia Militar. Outras seis grandes cidades do Pará tiveram atos contra o governo.
No Rio de Janeiro, desde às 10 horas os manifestantes se concentraram em Copacabana com diferentes palavras de ordem e foram em caminhada até o Leme.
Em Belo Horizonte, cerca de 6 mil pessoas, segundo a PM, se encontraram na Praça da Liberdade. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) esteve no ato e fez um curtíssimo pronunciamento carro de som, pedindo o fim da corrupção.
Dilma e ministros farão balanço dos protestos pelo País
A presidente Dilma Rousseff fez, no fim da tarde, uma avaliação das manifestações por todo o Brasil com os ministros da articulação política do governo.
O ministro da Justiça, Jose Eduardo Cardozo, que montou um gabinete de monitoramento dos protestos nas capitais do País, apresentará à presidente um fotografia do evento.
A avaliação inicial é de que os protestos estão menores do que os dois anteriores, mas o governo ainda aguarda o andamento das manifestações na capital de São Paulo.
Cunha, Renan e Janot são alvos de crítica em protestos de Brasília
A presidente Dilma Rousseff e o PT não foram os únicos alvos dos protestos na Esplanada dos Ministérios. Os manifestantes também dispararam críticas aos presidentes da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL). O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, também foi alvo das desconfianças dos manifestantes pela demora no oferecimento das denúncias dos envolvidos na operação Lava Jato.
"Senhor procurador geral da Republica, a técnica e a justiça não fazem conchavos! De que lado o senhor está?", dizia um dos panfletos distribuídos.
A dona de casa Olga Hermeto, 83 anos, e os filhos Henrique, 53 anos, e Ana Maria, 52 anos, foram à Esplanada dos Ministérios com placas com o nome do ex-presidente Lula ao lado de grades de prisão e a expressão "Je suis Sérgio Moro", o juiz responsável pela operação Lava Jato. Na placa, o nome de Janot estava ao lado de uma interrogação.
"A gente está sem saber o que ele (Janot) vai fazer", disse Olga ao ser questionada sobre Janot. "Espero que ele tome uma posição mais clara", pediu o seu filho, Henrique.
Para a filha Ana Maria Hermeto, os presidentes Renan e Cunha também vão cair. "É uma questão de tempo. O Congresso está completamente comprometido com suas próprias vontades e não com o povo", afirmou.
De um dos carros de som, manifestantes, aos gritos, chamaram o presidente do Senado de "vagabundo". Em um dos panfletos, foi dado um recado a Renan: "O Brasil não esqueceu o seu passado." Para Eduardo Cunha, outro recado: "Nossos heróis nunca serão corruptos."
Uma faixa colada num carro de som mostrava a linha sucessória à Presidência da República formada pelo vice-presidente Michel Temer, Eduardo Cunha, Renan Calheiros e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski. O detalhe é que todos os nomes estavam marcados um "x" na cor preta.
Movimentos na Avenida Paulista pedem impeachment e não querem políticos
Milhares de pessoas já se reúnem na Avenida Paulista, principalmente em frente ao Museu de Arte de São Paulo, para protestar contra o governo Dilma Rousseff. Manifestantes abriram na avenida uma faixa gigante com a palavra impeachment.
A advogada Beatriz Kicis, de 52 anos, administradora do movimento Revoltados Online, disse que há motivos de sobra para pedir o impeachment da presidente Dilma. "Houve omissão nos casos da Petrobras e do BNDES. E há as pedaladas fiscais", disse. Moradora de Brasília, Beatriz veio a São Paulo só para participar do ato. O economista Paulo Melo, de 52 anos, disse que não sabe ainda qual é o presidente ideal para o País, mas que o primeiro passo é tirar o PT do poder. "Vai surgir o presidente ideal na hora certa."
Já um dos coordenadores nacionais do Movimento Brasil Livre (MBL), Fernando Holiday, garantiu que o caminhão do grupo que interdita a Avenida Paulista não abrigará discursos de políticos. "Faremos discursos somente de membros do movimento. Hoje a principal bandeira é o impeachment da presidente Dilma Rousseff", explicou.
Panfletos
Um panfleto com o título "Olavo tem razão", em referência ao filósofo Olavo de Carvalho, é distribuído aos manifestantes. "Descubra toda a verdade por trás do marxismo cultural e da nefasta degradação moral da cultura brasileira lendo estes livros", aponta o texto, que indica obras como a do filósofo Luiz Felipe Pondé (Guia Politicamente Incorreto da Filosofia) e o economista Rodrigo Constantino (Esquerda Caviar).
Em meio aos protestos contra a presidente Dilma e o PT, há cartazes em pontos de ônibus da avenida, colados por militantes do Partido da Causa Operária na noite de sábado com os dizeres "Abaixo o Golpe, Impeachment não". Alguns foram arrancados e pichados por manifestantes que querem a saída da presidente. Outros levaram às ruas hoje faixas dizendo "Fica Dilma" e "Não ao Golpismo".

