| Alex Mita |
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| Em bênção de encerramento, dom Caetano Ferrari abordou temas polêmicos |
Com recorde de participantes, a Caminhada da Família levou uma multidão de fiéis a orar e entoar cânticos religiosos pelas avenidas Getúlio Vargas e Nossa Senhora de Fátima, na manhã desse domingo (16). A organização do evento, ligado à Diocese de Bauru, esperava levar 10 mil pessoas. A Polícia Militar estimou 11 mil.
O ato não abordou questões político-partidárias. Nos últimos dias, foi gerada certa expectativa em torno disso, pelo fato de o terceiro ato na cidade contra a corrupção e o governo Dilma Rousseff (PT) ter sido agendado para o mesmo local, dia e horário. Em sua bênção final, no entanto, o bispo dom Caetano Ferrari pediu à comunidade cristã orações para que as autoridades não caiam em tentações.
Do carro de som da caminhada, a maior autoridade da Igreja Católica na região de Bauru não deixou de abordar temas considerados polêmicos. Além de pregar contra a idolatria do individualismo, o hedonismo (busca pelo prazer como bem supremo) e a propostas pagãs, ele criticou as tentativas de legalização do aborto e de experiências com embriões. “Querem descartar vidas em laboratórios”.
| Alex Mita |
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| José Luciano e Ângela com os filhos Rafael e Eduardo participaram pela primeira vez |
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| Nazaré e a neta Maria Fernanda se emocionaram no momento de oração |
Reforçando o tema da caminhada, “O amor é a nossa missão, eu e minha família serviremos ao Senhor”, o bispo pontuou que a família deve ser encarada como “um lugar sagrado, escola da vida, onde a criança aprende a rezar e amar”.
Dom Caetano lembrou ainda que a iniciativa em torno da já tradicional marcha partiu da Pastoral Familiar da Diocese, mais precisamente dos casais que atuam nas paróquias da cidade. “Ela nasceu do povo, não da cabeça do bispo. Isso é muito importante”.
A bênção final antecedeu a missa celebrada no Santuário Nossa Senhora de Fátima, ponto de chegada da caminhada, iniciada na quadra 14 da Getúlio Vargas. O evento também recolheu alimentos não perecíveis, que serão doados a entidades assistenciais.
EM ORAÇÃO
Nazaré Blanco Pelegrin, 70 anos, levou a neta Maria Fernanda Pelegrin Ferreira, 10, à Caminhada da Família. As duas moram juntas e, desde os tempos de colo, a menina acompanha a avó às missas da Nossa Senhora de Fátima aos domingos.
“É uma felicidade, por mais um ano, estar aqui, rezando em comunhão com tantas pessoas de fé e poder transmitir isso, desde sempre, para minha neta”.
A caminhada também recebeu famílias estreantes. Frequentador da paróquia Santa Clara, o casal José Luciano e Ângela Cavalcante, de 41 e 33 anos, participou do ato em prol das famílias pela primeira vez. Os filhos Eduardo e Rafael, 8 e 6, também foram. “A gente ficou sabendo pela própria comunidade e foi uma experiência única, que quero repetir”, conta a mulher.
COMBATE
Neide Tomião, 68 anos, acredita que a oração e a fortificação em Jesus Cristo são as mais eficazes formas de se combater o que chama de “degradação da família”. “A gente precisa da força de Deus para combater tudo isso. Ficamos assustados com as barbáries que estão acontecendo. É muita violência. Pais e padrastos violentando seus filhos...”, lamenta.
Seu marido, Roberto Lima, 72, explica, no entanto, que não sente como uma obrigação, mas como um prazer, participar da mobilização pela fé junto à comunidade católica de Bauru.
“Nessas horas, a gente vê que todo mundo é irmão. E quem não pode vir, tem que saber que a gente reza por eles também”, conta ele, que, junto com Neide, tem três filhos e quatro netos.
Juventude em ação
| Alex Mita |
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| Cintia Baglioni: jovens cristãos “mostraram a cara” |
Dezenas de jovens que militam no Treinamento de Liderança Cristã (TLC) na cidade de Bauru deram um show à parte durante a Caminhada da Família neste domingo. Espalhados ao longo de todo o percurso e, sem prévio ensaio, eles puxavam o coro, em meio à multidão, de consagrados cânticos católicos, contagiando a todos os presentes, que aderiam às canções.
“O TLC tem o intuito de formar jovens líderes, que se destacarão na Igreja e na sociedade. A gente não poderia ficar de fora do evento porque só a família pode ser a base para tudo isso. Além disso, é uma forma do jovem cristão mostrar a sua cara. Somos mais de 200 na cidade”, diz Cintia Baglioni, 29, uma das mais animadas do grupo.



