Política

3º ato reúne 4 mil pessoas contra a corrupção e com foco anti-Dilma

Vinicius Lousada
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Divulgação
Manifestação não teve qualquer ocorrência, segundo a PM

Apesar da tentativa da organização de conter os pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), essa foi, mais uma vez, a principal reivindicação dos 4 mil manifestantes que foram à avenida Getúlio Vargas, na manhã desse domingo (16), protestar contra a corrupção e o governo. O terceiro ato do tipo realizado em Bauru – os dois primeiros atraíram 12 mil e 7 mil pessoas, respectivamente – mobilizou ainda milhares de cidadãos que contam estar sendo diretamente prejudicados pelo momento de crise econômica e por parte das políticas públicas implantadas pelo PT.

Pai, filho e primo, José Eduardo Bergami Antunes, 54 anos, Luís Otávio Vilella, 22, e Luiz Eduardo Vilella, 32, foram juntos à manifestação. O primeiro é médico e diz que sua categoria profissional vem sendo perseguida econômica e ideologicamente pelo governo petista.

“Acabaram com a classe médica. Do bruto que nos pagam os planos particulares, a gente perde 50% de imposto na fonte. Dizem que nós somos elites, mas a classe média trabalha muito, acorda cedo e corre atrás. Colocar sujeito, que nem brasileiro é, em condições de trabalho escravo, em lugares ermos, sem qualquer estrutura é certo? Isso é maquiagem”, afirma José Eduardo, em referência ao programa Mais Médicos, que “importou” profissionais cubanos ao Brasil.

Ele acredita ainda que o PT trabalha para implantar o regime comunista no País. “São cegos e se acham donos da verdade. É um idealismo destruidor. Gostam de Cuba, Bolívia e Venezuela, onde não tem nem papel higiênico. Estamos perto disso e, se acordarmos tarde aos domingos e não virmos aos protestos, nossos filhos pagarão as contas”.

Luiz Eduardo se preocupa, em primeiro lugar, com a corrupção. Já Luís Otávio critica o aparelhamento político na estrutura estatal. “Até a pauta do Legislativo, até o começo desse ano, vinha sendo pautada pela ideologia do PT.

O empresário Nei Santos foi outro que reclamou. No caminhão de som, ele relatou que, para não quebrar, se viu forçado a fechar seu negócio do setor de comércio atacadista no último mês de abril.

“Foram 15 anos, mas acabou. Se não tivesse parado quatro meses atrás, não teria conseguido honrar com todos os compromissos. Muitos empresários estão falindo. Esse governo está acabando com o nosso País, e também com o nosso coração e a nossa alma. E não é só a gente que está sem condições de trabalhar. O problema é geral; é só ver o índice de desemprego”, reclamou.

A advogada Renata Casasola, 34 anos, lamenta o fato de tanto dinheiro roubado não ter sido aplicado em áreas prioritárias, como saúde e educação.

“Acho que não há outro caminho se não tirar a Dilma, que está aí, para a gente encontrar uma forma de reerguer nosso Brasil”.

CONCENTRAÇÃO

Os manifestantes se reuniram, por volta das 8h30, na quadra 14 da avenida Getúlio Vargas e, logo em seguida, à saída da Caminhada da Família da Igreja Católica, marcharam rumo à Praça Portugal, onde professaram palavras de ordem, críticas ao PT, Lula e Dilma, encerrando o ato com o Hino Nacional.

A grande maioria dos participantes do ato atendeu à convocação dos grupos “Juventude Bauruense” e “Vem pra Rua”, de ir às ruas trajando as cores da bandeira. Também foram muitos os cartazes e faixas com dizeres antigovernistas.

Capitão da Polícia Militar, Milton César Maciel confirmou que a manifestação se deu sem ocorrências ou intercorrências. “Foi tudo muito tranquilo. Não houve qualquer incidente”.

Avaliações

Um dos organizadores da manifestação, Gabriel Machado diz que o ato deste domingo correspondeu às expectativas. “O pessoal veio. A gente sabe da dificuldade de colocar gente na rua em três atos seguidos. Mas foi muito bom que o grupo se manteve coeso ao longo da marcha e a relação com a Caminhada da Família foi muito tranquila. A cara do povo brasileiro”.

Segundo ele, a predominância dos gritos de “Fora, Dilma” é reflexo do atual governo, que estaria “inflamando” a sociedade.

“Também fiquei contente com o foco voltado à Operação Lava Jato e com a demonstração de solidariedade e apoio do juiz Sérgio Moro”, avaliou Gabriel Machado.

Durante o ato, também foram recolhidas assinaturas para o projeto de lei de iniciativa popular denominado “Corrupção Nunca Mais”.

Fotos: Alex Mita
Gabriel Machado, um dos organizadores, destaca “coesão”  entre  manifestantes
Médico, José Eduardo afirma que categoria é perseguida econômica e ideologicamente
 Luís Otávio (à esq.) critica o aparelhamento político na estrutura estatal

 

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