Nesta terça-feira (18), às 20h, será a abertura da exposição das obras de Emiliano, na Pinacoteca Municipal. Durante a abertura haverá apresentação do grupo de cordas da Orquestra Sinfônica Municipal e performance do artista Fábio Valério, inspirado nas obras de Emiliano. A exposição fica aberta ao público até o dia 18 de setembro.
Emiliano concebeu seus quadros e esculturas pensando no diálogo que eles teriam com a Casa Ponce (sede da Pinacoteca) com sua arquitetura e suas cores.
O Artista
Aos 15 anos de idade, Emiliano começou a fazer trabalhos em madeira, com estilete. Após sua descoberta como escultor, vieram as telas e a pintura. Com formação acadêmica em Desenho Industrial pela antiga UB (atual Unesp), entre os anos de 1981 e 1985, e com 40 anos de carreira, o artista se mostra inquieto e sempre disposto a inovar em suas obras. Sobre seu processo de criação, ele afirma: “Eu não tenho medo de fazer, eu não tenho medo de usar algum material. Eu só vou saber se fica bom se eu colocar ali (na obra)”. Ele completa: “O quadro, eu nunca sei como ele vai ficar. Ele acontece”.
Em seus quadros, predomina o uso de materiais como neutrol, verniz e tinta acrílica, sempre mesclados. Alguns trabalhos demoram anos para ficarem prontos. No ímpeto de melhorar até atingir o que considera ideal, Emiliano usa novas cores, faz raspagens e sobreposições de tintas e pesquisa por novos materiais. Só considera uma obra pronta quando ela efetivamente sai de suas mãos. Caso contrário, ao longo do tempo, encontra alterações a serem feitas.
Com suas esculturas, o material preferido é a sucata e peças de ferro velho, moldados através de dobra e solda. Assim como nos quadros, a busca pelo que considera ideal é constante.
Apesar de ser um pesquisador das artes - desde a Antiguidade até os dias atuais - Emiliano se considera um artista “abstrato organizado”.
Contextualizando a abstração
A arte abstrata moderna surgiu no Pós-2ª Guerra Mundial. Os artistas da Europa (até então o continente palco das vanguardas) mudam-se para os Estados Unidos fugindo de uma crise econômica e humana em busca de apoio. Lá havia diversos mecenas dispostos a bancar o trabalho artístico, enquanto a economia da Europa estava extremamente fragilizada. A abstração surgiu de forma natural, tanto para os artistas quanto para o público. A representação fiel do real já estava saturada e as novas formas foram bem aceitas.
De um lado, quadros cheios de cores fortes e vivas, como vermelho, amarelo e azul, com pinceladas rápidas que tornavam tudo disforme. De outro, quadros mais minimalistas, com uso de praticamente apenas uma cor e formas geométricas bem definidas, como linhas ou triângulos. Dentro dessas descrições, pode-se ter como referência Kandinsky e Mondrian, respectivamente. Ambos pintores abstratos.
A abstração de Emiliano
É possível perceber influências desses dois pintores nas obras de Emiliano, mesmo que ele as use de forma inconsciente. Uma obra sua pode ser viva, com diversas cores fortes empregadas de modo disforme, com pinceladas rápidas e até muitas vezes, agressivas; e possuir formas leves, círculos cinza (quase brancos), que quebram a tensão ao olhar. Tudo isso no mesmo quadro. Sua abstração é organizada porque essa mescla é uma de suas marcas registradas. Já faz parte do estilo de pintura que o artista desenvolveu ao longo das décadas.
Serviço
A Pinacoteca Municipal - Casa Ponce Paz fica na Rua Antônio Alves, 9-10, telefone (14) 3232-1552, fica aberta ao público de 2ª a 6ª feira, das 10h às 18h. A exposição de Emiliano acontece entre os dias 18 de agosto de 18 de setembro.