| Éder Azevedo |
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| Delegados Eduardo Herrera e Kleber Granja, da DIG, explicam os passos da investigação |
O dedo do criminoso, decepado pela vítima durante assalto em chácara em Bauru, foi fundamental para esclarecer o episódio que terminou com a morte do agente fiscal de renda Hugo Paulo Teixeira, 57 anos, há exatamente uma semana. Hugo foi agredido e esfaqueado na frente da esposa de 56 anos, após reagir ao roubo.
Através das digitais, a Polícia Civil conseguiu identificar Adriano José Pinheiro, 24 anos, conhecido como “Paraguai”, que tem várias passagens por tráfico de drogas, furto e receptação de veículos. Ele é apontado como autor das facadas que mataram o agente fiscal. No entanto, Adriano e a esposa Dayana Ingrid Cândido Santos, 23 anos, que o auxiliou na ação, estão foragidos.
Mais duas pessoas participaram do latrocínio: Ruth Lopes Oliveira, 24 anos, e uma adolescente de 17 anos, que também tem passagem por tráfico. Conforme o JC antecipou, as duas foram detidas pela Polícia Militar (PM), na madrugada de sábado, em uma casa no Parque Jaraguá. Ambas confessaram a participação no crime, registrado como latrocínio (roubo seguido de morte).
“A localização do dedo anelar da mão direita de Adriano foi muito importante para o trabalho de investigação. Não nos resta dúvidas de que ele foi o autor das facadas”, enfatizou o delegado da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Eduardo Herrera.
Além da datiloscopia (processo de identificação por meio das impressões digitais), a polícia reuniu outros fatores, como a descrição física dos bandidos, para identificar os outros acusados, conforme explicou o titular da DIG, Kleber Granja. “Depois de traçar o perfil de cada um dos suspeitos apontados em nosso banco de dados, chegamos até os autores”, disse.
Segundo Herrera, a prisão temporária de 30 dias dos acusados já foi expedida e todos responderão por latrocínio qualificado. “A adolescente já foi encaminhada para a Fundação Casa”, revelou o delegado.
Em relação a Adriano e sua esposa Dayana, a DIG não descarta a hipótese de enquadrá-los no programa de recompensas. “Estamos trabalhando com essa estratégia”, pontuou Granja.
Frieza assustou
Durante o interrogatório, a adolescente de 17 anos não expressou arrependimento, disse Kleber Granja. “A menor demonstrou uma frieza assustadora e domínio da situação, fatores inaceitáveis para uma menina de apenas 17 anos. Disse não estar arrependida de nada. Já a Ruth estava muito abalada e arrependida”, relatou.
Serviço
Qualquer informação do paradeiro dos foragidos basta entrar em contato pelo telefone 197, do Disque Denúncia da Polícia Civil. O anonimato é garantido.
‘O despreparo dos autores ocasionou a morte’
Hugo Paulo Teixeira foi morto em um assalto na chácara em que vivia, na altura do quilômetro 356 da rodovia Bauru-Iacanga, na região do Vale São Luiz. Conforme o JC noticiou, dizendo que estavam interessados em comprar outra propriedade, os quatro criminosos renderam a vítima na entrada da chácara.
Enquanto o agente permaneceu rendido na varanda por Adriano, a mulher dele foi levada pelas três criminosas para dentro da casa, onde ficou sob a ameaça de uma faca.
“O ‘despreparo’ dos autores gerou a situação de confronto e morte. Adriano teria deixado Hugo sozinho na varanda, momento em que ele reagiu, pois não estava vendo a esposa e pensou no pior”, disse o delegado da DIG, Eduardo Herrera.
Durante a luta corporal, Hugo teria sido golpeado cerca de 10 vezes. O grupo fugiu deixando a esposa do agente amarrada com fio de ferro de passar roupa. Ela tentou intervir e acabou sofrendo cortes superficiais em uma das mãos.
Ainda de acordo com Herrera, não foi confirmado que os bandidos tinham informação privilegiada sobre a vítima. “O Adriano foi até a casa com a perspectiva de encontrar dinheiro e bens. Para isso, contudo, recrutou os demais”.
Do local, foram levados eletrônicos, cheque, perfumes e até uma espingarda de chumbo. Parte dos produtos foi recuperada após a prisão das duas acusadas, no sábado.
