Está impregnada na cultura política brasileira a mistura de interesses sociais aos interesses partidários. Para isso, existem agremiações partidárias com objetivos ambientalistas, sociais e religiosos, com a finalidade de tentar passar uma ideia diferente ao tradicionalismo político. De certa forma é até coerente essas representações atípicas, o que não é coerente é usar uma legenda partidária para explicar um assunto de caráter técnico com argumentos partidaristas.
Muitos ambientalistas e políticos partidários se promoveram e tentam se promover às custas de um trabalho que deve ser tratado exclusivamente na recuperação e conservação do ambiente e suas variantes de forma técnica. É ridículo observarmos alguns políticos sem conhecimento do assunto se pronunciando sobre um tema difuso e um tanto complexo que são as relações das Ciências da Natureza. Infelizmente esses políticos que são eleitos com a bandeira do ambientalismo são os que menos fazem pelas questões ambientais.
Mais contraditório ainda é ver um partidarista em um confronto de ideias técnicas. Quando ocorrem essas interferências, a interlocução técnica praticamente não existe, o resultado disso é a discrepância do assunto e a redicularização do interlocutor diante da sociedade e dos profissionais da área. As questões ambientais não são só de interesse dos profissionais da área técnica-científica, mas também dos advogados, gestores, administradores e também dos políticos partidários, o que não pode ocorrer é discorrer sobre o assunto sem conhecimento e passar uma imagem caricata, perdendo-se na oratória e usar a questão ambiental como subterfúgio para ganhar votos e autopromoção.
As questões ambientais devem ser tratadas com conhecimento técnico, conhecimento de causa e além de tudo, pragmatismo. Ninguém pode falar sobre meio ambiente, se não estiver dentro do sistema prático e não conhecer o assunto de forma íntima. Na teoria somos todos ambientalistas, contudo na prática, poucos conseguem conduzir o assunto de forma fundamentada, segura e criteriosa. Quando a prática do ambientalismo é configurada de forma partidária, as ações ficam travadas, a retorica é cômica e os resultados nunca aparecem.
A mistura do partidarismo sem conhecimento e do ambientalismo ignóbil forma uma grosseira e inerte situação de engessamento, que resulta em algumas cômicas expressões pouco usuais do tipo: “o rio derrama”, “a onça assobia”, até ao ponto de confundir esgotos com água. Uma das principais diretrizes da maneira que os partidaristas devem ser comportar em relação a temas específicos, é através da observância do princípio da inserção da multidisciplinaridade nas suas posições partidárias. Não fazendo isso, podem incorrer em circunstâncias fora dos padrões técnicos, inconstitucionais e utópicos.
O autor é especialista em sustentabilidade e colaborador do JC