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O "top 10" dos remédios em Bauru

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

Quioshi Goto
“As pessoas não estão só se cuidando mal, mas estão achando que tomando o remédio está tudo resolvido”, diz Pedro Luiz

A população mais humilde de Bauru usa em demasia remédios de distribuição gratuita para prevenção de males como a hipertensão ao invés de adotar rotina regrada e se livrar dos incômodos e riscos com a saúde pelo caminho saudável, com atividade física, controle de stress e boa alimentação. Esta é a principal informação derivada do levantamento realizado pelo Departamento de Ação e Controle (Depac) da Prefeitura de Bauru, a pedido do JC, na identificação dos 10 remédios mais retirados pelos bauruenses no programa de Farmácia Popular.

Gratuita, a distribuição de remédios consumiu R$ 13,4 milhões dos cofres públicos no ano passado. Da lista top 10 dos mais consumidos na rede básica municipal, a metade é de drogas para prevenir ou combater sintomas da hipertensão. Aliás, o mais distribuído na Farmácia Popular é um anti-hipertensivo.

Segundo o médico coordenador do programa, Pedro Luiz Pereira, são 660 mil comprimidos por mês somente do anti-hipertensivo líder de consumo. “Isso significa 22 mil caixinhas todo mês. É um volume gigantesco de remédio destinado a combater males que foram gerados, em sua maioria, por falta de cuidados com a saúde. O tripé alimentação saudável, qualidade do sono e atividade física eliminaria em muito esse consumo, gerando enormes benefícios à população, mas depende de mudança cultural e de comportamento”, salienta.

O dado preocupa ainda mais se considerarmos a motivação para o consumo. “Somente o uso do anti-hipertensivo mais distribuído pela Farmácia Popular equivale a 6% da população total. Se lembrarmos que uma parcela considerável dos bauruenses tem plano de saúde privado, esse dado torna-se ainda mais preocupante em termos de uso do remédio como prevenção a um mal que deve ser combatido com mudança de hábitos.”

Pedro Luiz salienta que o levantamento, de outro lado, ratifica que a Farmácia Popular está cumprindo seu papel. “Se o volume de distribuição é tão elevado, e em sua maior parte destinado ao uso preventivo por portadores de doenças ligadas a pressão arterial e obesidade, o programa cumpre muito bem seu papel, já que está chegando às pessoas que mais precisam.”


O que tem na bolsa

Tanto a pesquisa de consumo de remédios no programa de Farmácia Popular quanto o levantamento nacional dos mais vendidos nas farmácias identifica duas preocupações: que uma parcela da população toma remédio para prevenir um mal ao invés de mudar o hábito e de que, outra parte, consome as drogas por automedicação.  

Mas o que o brasileiro leva em sua bolsa de “primeiras necessidades”? A lista identifica descongestionantes, vitaminas, analgésicos à base de dipirona, pílula anticoncepcional, antigripais, calmantes, ansiolíticos e anti-hipertensivos. É o que mostra pesquisa realizada pela consultoria IMS Health e Associação Brasileira de Medicamentos Isentos de Prescrição. Um dado curioso dos mais vendidos nas farmácias é a segunda posição da droga que age como hormônio tireoidiano, o Puran T4. A médica endocrinologista Telma Gobbi, especialista no segmento, questiona: “Muita gente está tomando para tratar de obesidade, sobrepeso. Esse tipo de comportamento é problemático”, aponta.

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