A atitude projetual define a atuação de um designer. A natureza do produto a ser criado ou seu suporte não são barreiras, pois o designer precisa manter sempre uma postura investigativa e multidisciplinar. É neste sentido que o design pode criar inúmeras interfaces com áreas diversas, das mais conhecidas como publicidade ou as artes, assim como também em outras demandas, como as ciências médicas, exatas ou ainda nos trabalhos educacionais. Em todos os âmbitos, existe um ponto fundamental de qualquer projeto que sempre deve ser considerado pelo designer: o usuário. Quem são? Quais suas características, necessidades e anseios? Entender a complexidade humana, suas particularidades, eficiências e deficiências deve ser a principal preocupação do designer durante as pesquisas e no ato projetual, tendo em vista uma contribuição efetiva no desenvolvimento de produtos cada vez mais acessíveis, confortáveis, legíveis e, portanto, inclusivos.
Com estas dois conceitos em mente - multidisciplinariedade e inclusão, as professoras doutoras Fernanda Henriques e Cassia Leticia Carrara Domiciano, do curso de design da Unesp Bauru, conectaram uma rede de docentes de diversas áreas da própria instituição e também da USP a fim de desenvolver pesquisas e produtos em design gráfico voltados à inclusão. Dessa forma, a Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac), a Faculdade de Ciências (FC) e o curso de fonoaudiologia da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB/USP) uniram-se na formação do grupo de pesquisa “Design Gráfico Inclusivo: visão, audição e linguagem”, cujo objetivo é agregar conhecimentos para realizar ações que visem a melhoria da condição de vida da população.
Por sua característica multidisciplinar, o grupo de pesquisa trabalha em vários projetos e em diferentes laboratórios de pesquisa e extensão da Unesp e USP, recebendo apoio não só de suas instituições de origem, mas também de agências de fomento como o CNPq. Podemos citar algumas dessas investigações atualmente em desenvolvimento: as relações entre os distúrbios da comunicação escrita (dislexia) e a tipografia; elaboração de materiais gráficos instrucionais para deficientes auditivos; produção de materiais didáticos para professores que trabalham com alunos excluídos por suas deficiências e distúrbios. Como resultado, além do mérito dos projetos em si, o grupo de pesquisa “Design Gráfico Inclusivo: visão, audição e linguagem” tem proporcionado no ambiente acadêmico a discussão e o engajamento de docentes e alunos da graduação e da pós-graduação na contemplação da diversidade como ferramenta de colaboração para a melhora da qualidade de vida das pessoas.
As autoras são professoras doutoras do Departamento de Design da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Unesp Bauru.