Há vários anos atuando com reprogramação mental através de terapia com Programação Neurolinguística e Hipnose, posso exatamente afirmar que tudo na vida é questão de percepção. Entender isso é primordial para mudar nossa visão em relação ao assunto do momento. Mas, afinal, o que é crise? Segundo os próprios dicionários, umas das definições é: “alteração de estado, melhora ou piora, ruptura de equilíbrio”. Estar em crise não necessariamente significa algo ruim. Aliás, você já deve ter escutado mais de uma vez a famosa frase: “É na crise que surgem as oportunidades”. Na teoria isso é verdadeiro e muito bonito, afinal, enquanto algumas áreas da economia sofrem os efeitos de recessão e incerteza, outros setores se aproveitam do momento para ampliar suas capacidades produtivas ou de marketing com produtos e serviços inovadores destinados a alguns nichos específicos.
Porém, o meu foco aqui neste momento é constatar a grande dificuldade prática que temos em mudar nossos modelos mentais de forma a encontrar esperança e força mediante essa onda de pessimismo que tomou conta da nossa população.
Eu sou um palestrante motivacional que não acredita em palestras motivacionais... Mas, como assim? Simplesmente porque a palavra motivação vem de motivo+ação, ou seja, o ser humano só parte para a ação quando tem um motivo forte para tal (normalmente nos extremos de dor ou prazer). Motivação deve vir de dentro para fora! É necessário que eu sinta a verdadeira necessidade de mudar meus hábitos e comportamentos, e me planeje para a mudança. Motivação ocasionada por outra pessoa não passa de um estímulo fraco, facilmente esquecido no primeiro problema encontrado. Canso de ver funcionários assistindo palestras e cursos e saindo altamente “motivados”, mas o efeito dura pouco (via de regra, até o domingo, no momento em que a música de abertura do Fantástico começa).
Mudanças comportamentais e emocionais verdadeiras só acontecem de fato no momento em que o processo de automotivação é “instalado” dentro de nossa programação mental diária. Muitos de nós passamos boa parte da vida nos queixando de nossas empresas, de nossos chefes, do governo, etc. Longe de querer condenar ou não qualquer pessoa, mas me parece um tanto quanto “confortável demais” passar pela vida colocando nas mãos de outros a condição de estarmos alegres ou não, nossos sorrisos e até mesmo nosso destino. Quer dizer que se seu colega de trabalho não responde um “bom dia” que você ofereceu cheio de entusiasmo, é hora de parar de cumprimentar todos?
É interessante – e triste – que em épocas como essa, as pessoas simplesmente abandonam faculdades, cursos e capacitação profissional/pessoal – ou seja, projetos que tem a maior chance de garantir sua empregabilidade futura ou mesmo sua sobrevivência – pelo simples fato do temor em gastar com coisas supérfluas... Da mesma forma, se antes procurávamos terapeutas para nos ajudar, hoje colocamos em mente que nossos problemas podem não passam de “besteiras” e que irão ser resolvidos por si só, afinal, gastar com nossa saúde mental é supérfluo!
A automotivação começa em casa, por exemplo, no espelho de nossos banheiros. Quando dizemos com sinceridade “hoje o dia promete ser complicado”, não é mais uma promessa... Nossos estados mentais já se preparam para o pior, numa tentativa de evitar decepções profundas – afinal, imaginando que o pior vai acontecer, surpresas frustrantes não me afetarão tanto assim. Imagine então se nosso cérebro adotar essa programação como padrão!
Se programar para o pior é simplesmente permanecer na zona de conforto, onde nada de diferente acontece... É estagnar nossa evolução. Stephen Covey, autor do best seller “Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes”, definiu a palavra proatividade como a capacidade de não permitir que o mundo controle nossas emoções. Assim, não há como gerar automotivação sem proatividade. A transformação ocorre sempre de dentro pra fora, e sempre temos algumas ferramentas que podem nos auxiliar nisso: terapias, meditação e auto-hipnose por exemplo.
Enfim, se crise é mudança, então que tenhamos força para mudar! Sejamos nós a mudança que queremos ver no nosso país!
O autor é professor universitário, palestrante e hipnoterapeuta - roger@rogerdiasbarbosa.com.br