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PIB recua 1,9% e Brasil entra em recessão técnica: ajuste na economia brasileira vai se prolongar

Por Álvaro Campos | AE
| Tempo de leitura: 3 min

O PIB do segundo trimestre, divulgado nesta sexta-feira (28) pelo IBGE, não traz muitas esperanças de que a economia brasileira vá sair da recessão em breve. Para Thiago Biscuola, analista sênior da RC Consultores, "a não ser que haja um milagre de um ajuste fiscal rápido e eficiente, essa situação deve se prolongar por um bom tempo".

Ele reviu recentemente sua projeção de PIB para este ano a -2,4%, mas diz que depois dos dados de hoje talvez tenha de cortar ainda mais essa estimativa. Para o próximo ano, ele espera algo perto de zero, e não descarta mudar em breve para um número negativo. "Por enquanto, 2016 ainda é uma grande incógnita. Com esse cenário político, mal dá para saber o que vai acontecer em duas semanas. De qualquer forma, não tem como esperar uma recuperação no ano que vem", comenta.

Para Biscuola, a surpresa no PIB do segundo trimestre, que caiu 1,9% ante o primeiro, foi o tamanho da retração do consumo das famílias, que tem um grande peso na economia. Já a contração dos investimentos era mais esperada e ratifica o cenário dos últimos trimestre.

No caso da indústria, o analista diz que os dados em 12 meses até poderiam indicar que o setor está se aproximando do fundo do poço, mas não há muitas chances de retomada nos próximos dois ou três trimestres. "Alguns segmentos exportadores, como papel e celulose e laminados de aço, têm se beneficiado do câmbio, mas a economia brasileira é muito fechada e a demanda doméstica está fraca, com a queda no consumo das famílias e o aumento no custo financeiro das empresas", explica. Segundo ele, a construção civil, que foi um dos setores que mais pesou no desempenho da indústria no segundo trimestre, deve continuar muito ruim, com grandes empresas da área mostrando sinais de dificuldades.

O analista da RC Consultores não espera que o BC comece a afrouxar a política monetária em breve. Ao mesmo tempo, a possibilidade de alta nos juros, que chegou a ser aventada recentemente em função do salto do dólar, também parece afastada. "O BC deve manter os juros estáveis. Para convergir e ancorar as expectativas de inflação, a Selic terá de permanecer em patamar elevado por um tempo".

Recessão técnica

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro recuou 1,9% no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre deste ano, informou na manhã desta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Nos três primeiros meses do ano, a economia brasileira já havia diminuído 0,2%. O segundo trimestre seguido de recuo mostra que o Brasil está em recessão técnica. Já havia ocorrido recessão técnica no ano passado, com resultados negativos do PIB no primeiro e no segundo trimestres.

O resultado veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas de 42 instituições consultados pela reportagem, que esperavam desde uma queda de 2,20% até recuo de 1,30%, com mediana negativa de 1,70%.

Na comparação com o segundo trimestre de 2014, o PIB recuou 2,6% no segundo trimestre deste ano. O resultado ficou dentro das estimavas dos analistas de 39 casas, que previam desde queda de 3,10% até baixa de 1,10%, com mediana de -2,00%.

Com o dado divulgado hoje, o PIB recuou 2,1% no primeiro semestre deste ano, em relação a igual período de 2014, e acumula queda de 1,2% em 12 meses até o segundo trimestre de 2015. Ainda segundo o instituto, o PIB do segundo trimestre do ano totalizou R$ 1,428 trilhão.

Confira a tabela feita pelo IBGE

 

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