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Redução da velocidade e a segurança

Archimedes Raia Jr.
| Tempo de leitura: 3 min

 

Aredução da velocidade de muitas vias importantes de São Paulo tem rendido muitas críticas e questionamentos. No entanto, a ação de redução de velocidades permitidas não é inédita considerando países desenvolvidos. Desde novembro de 2014, por exemplo, os limites de velocidade em muitas vias de Nova Iorque passaram a ser de 30 ou 40 km/h. Os novos limites de velocidade são controlados pela polícia e através de equipamentos de controle da velocidade.

Para o Departamento de Trânsito nova-iorquino, os objetivos da medida são os de prevenir colisões, proteger os cidadãos de lesões, além de salvar vidas. Trechos urbano de rodovias e algumas vias de maior fluidez têm limites um pouco mais altos, enquanto que nas zonas escolares e para muitos bairros, como um todo, a velocidade é ainda mais baixa (30 km/h).

A redução do limite de velocidade para 30 e 40 km/h faz parte de um plano global de ação, denominado Visão Zero, filosofia criada, em 1997, pelo parlamento sueco e disseminado em muitas regiões do mundo, para eliminar mortes e lesões graves no trânsito, independentemente do modo: a pé, de bicicleta ou em um veículo motorizado. Segundo a Visão Zero, é eticamente inaceitável que pessoas percam a vida ou fiquem seriamente lesionados devido a acidentes de trânsito.

Os novos limites de velocidade de 30 e 40 km/h afetarão muitas ruas de Nova Iorque, exceto aquelas em que um limite de velocidade diferente é imposto. Algumas vias de maior hierarquia, que foram projetadas para acomodar velocidades maiores, permaneceram com a regulamentação de 50 km/h. Paralelamente a isto, um Plano de Segurança voltado para pedestres foi implantado, pois as mortes de pedestres cresceram proporcionalmente entre todas as mortes no trânsito de Nova Iorque, nos últimos anos. Para a Visão Zero não é aceitável que a segurança das pessoas seja comprometida em troca de maior mobilidade.

Existe uma relação direta entre velocidade e risco de morte em um atropelamento. Para o pedestre atropelado, o risco de morte está em torno de 30% quando a velocidade é de 40 km/h, no entanto, aumenta até 85% se a velocidade de impacto for de 60 km/h. A morte do pedestre é praticamente inevitável a 80 km/h.

A gravidade dos atropelamentos possui uma estreita relação com as características físicas e com a dinâmica dos corpos em conflito. A energia cinética cresce, em proporção, muito mais do que a velocidade, resultando em atropelamentos com consequências especialmente graves, devido à vulnerabilidade do corpo humano diante da massa dezenas de vezes maior de um veículo.

Assim, sociedades mais evoluídas entenderam que vale a pena preservar a vida humana e, por isso, vem adotando gradativamente a Visão Zero. Países da União Europeia vem adotando essa nova maneira de gerenciar o trânsito e os resultados ficam evidenciados nos resultados das estatísticas de acidentalidade viária. A redução significativa das mortes e graves lesões são uma realidade.

Além de preservar o que há de mais precioso neste mundo, a vida humana, estas sociedades experimentam, por conseguinte, uma redução expressiva dos custos sociais gerados pelos acidentes. São Paulo está tentando caminhar nesta direção. A história dirá se está certa ou não.

 

O autor é professor associado da UFSCar, coautor dos livros Segurança Viária e Segurança de Tráfego, diretor de Mobilidade da Assenag e articulista do JC.

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